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Resenha Crítica | Sem Evidências (2013)

Sem Evidências | Devil's Knot

Devil’s Knot, de Atom Egoyan

Há quase dez anos que o roteiro de “Sem Evidências” circulava pelas mãos de cineastas e produtores americanos. Antes planejado para ser dirigido por Scott Derrickson assim que se consolidou com o sucesso comercial de “O Exorcismo de Emily Rose, “Sem Evidências” pousou no colo de Atom Egoyan, restando de Derrickson somente os créditos no roteiro também assinado por Paul Harris Boardman.

Pouco importa que o caso d’Os Três de West Memphis tivesse servido de tema para os capítulos de “Paradise Lost” ou mesmo de “West of Memphis”. Eis a dramatização de um caso real que faria Atom Egoyan revisitar temas que lhe foram muito caros em “O Doce Amanhã” e em outros títulos de sua filmografia, como a comoção de uma pequena comunidade diante de um crime, a necessidade em apontar um culpado e os segredos mais íntimos dos envolvidos, aos poucos sendo revelados.

Ambientada na West Memphis de 1993, a história registra as investigações que levaram a prisão de Damien Echols (James Hamrick), Jason Baldwin (Seth Meriwether) e Jessie Misskelley Jr (Kristopher Higgins) pelos assassinatos de Stevie Branch (Jet Jurgensmeyer), Christopher Byers (Brandon Spink) e Michael Moore (Paul Boardman Jr.), crianças encontradas amordaçadas e com várias lesões corporais próximo a um lago.

Em casamento em frangalhos com Margaret (Amy Ryan), o investigador Ron Lax (Colin Firth) decide tomar a frente da defesa dos três acusados, acreditando que não há provas que sustentem a versão do crime que todos confirmam cegamente. Além do mais, Damien, Jason e Jessie são roqueiros e curiosos à prática de rituais satânicos, fortalecendo a interpretação de Ron de que os habitantes de West Memphis, em sua maioria religiosos fervorosos, os acusam mais por seus perfis obscuros do que por alguma convicção plausível dentro de um tribunal.

Mãe de Stevie, Pam (Reese Witherspoon) encara Ron como uma presença desagradável em West Memphis, mas revê suas conclusões sobre o crime quando a razão se manifesta após o luto, o que traz tensão inclusive para o seu casamento com Terry (Alessandro Nivola). Há assim duas vertentes em uma narrativa que registra de modo quase documental um caso real do qual Atom Egoyan não compartilha da mesma resolução.

Ao contrário do que se viu em “O Doce Amanhã”, “Sem Evidências” não revela em nós aquele impulso tão natural que temos em apontar suspeitos com o falso sentimento de justiça diante de um caso de impunidade. Também não há um estudo sobre os inúmeros perfis identificáveis diante de discursos cercados de preconceito. Pelo contrário, Egoyan somente contorna os traços ao ponto de caricaturar todos os seus personagens e se livra do compromisso em sustentar sua interpretação do caso deixando várias pontas sem nó, como a identidade de um negro ensanguentado visto no banheiro de um restaurante na data do crime. Em “Sem Evidências”, Egoyan faz o seu pior filme.

One Comment

  1. […] duas singularidades estão mais presentes em “À Procura” do que o anterior “Sem Evidências”, mas este seu novo thriller, recebido com vaias ao disputar a Palma de Ouro na última edição […]

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