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Resenha Crítica | Ninfomaníaca – Versão do Diretor – Volumes: 1 e 2 (2013)

Ninfomaníaca - Versão do Diretor | Nymphomaniac: Director's Cut

Nymphomaniac – Director’s Cut – Volumes: 1 and 2, de Lars von Trier

.:: 38ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo ::.

O letreiro que abriu “Ninfomaníaca: Volume 1“, longa-metragem que chegou ao circuito comercial do país em janeiro deste ano, avisava que veríamos um filme que não correspondia a versão originalmente imaginada por Lars von Trier do material, ainda que o próprio tenha dado o aval para que o trio de montadores Jacob Secher Schulsinger, Molly Marlene Stensgaard e Morten Højbjerg realizassem as intervenções desejadas.

Para não provocar um mal estar em uma parceria que existe desde o seriado “O Reino”, a produtora Marianne Slot garantiu a Lars von Trier o lançamento posterior de seu corte para os dois volumes de “Ninfomaníaca”, pela primeira vez exibido no Brasil através da Mostra. Só o tempo irá dizer se a distribuidora California Filmes arriscará lançar a nova versão de “Ninfomaníaca” no circuito comercial, com os dois volumes totalizando a duração de cinco horas e meia. Para os fãs do cineasta, conferir o seu corte é uma obrigação.

Em “Ninfomaníaca: Volume 1”, Lars von Trier acrescenta recortes que garantem ao menos 25 minutos a mais ao filme. No entanto, as novas cenas pouco acrescentam ao que já vimos na versão de cinema. A jornada sexual de Joe (Charlotte Gainsbourg), exibida em flashbacks a partir de seus relatos para Seligman (Stellan Skarsgård), um homem solitário que a encontrou ferida em um beco, ganha aqui um teor mais explícito. Há mais genitálias à mostra, bem como closes em penetrações.

As coisas são diferentes em “Ninfomaníaca: Volume 2“. Exibido em março com duas horas de duração, o “Volume 2” ganhou uma hora a mais de material inédito. Também mais explícito (o ménage à trois de Joe com os dois africanos finalmente provoca um efeito além do cômico), este corte tem o seu penúltimo capítulo, “O Espelho” um efeito nauseante. O recolhimento de Joe, que se trancafia em seu apartamento para não ser estimulada sexualmente, é potencializado por uma ação antes omitida. Trata-se de um aborto que Joe realiza em si mesma, um momento gráfico que colocará “Ninfomaníaca: Volume 2” em listas futuras sobre as cenas mais chocantes da história do cinema.

Com uma força desgastada com a sua exposição diante de um marketing avassalador, “Ninfomaníaca” recebeu dois volumes lançados comercialmente que mantinham o toque reconhecível de Lars von Trier e revê-lo com a adição de uma e meia de conteúdo inédito não eleva drasticamente os conceitos que já estabelecemos, ainda que o “Volume 2” tenha sido submetido a mudanças mais expressivas. De qualquer modo, é válido rever este que será o último filme do cineasta dinamarquês por um bom tempo, uma vez que von Trier concentra agora as suas atenções durante os próximos meses no seriado “The House That Jack Built”, previsto para ganhar as tevês em 2016.

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