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Resenha Crítica | Caminhos da Floresta (2014)

Caminhos da Floresta | Into the Woods

Into the Woods, de Rob Marshall

Passaram-se gerações e os contos de fadas foram adotando formas distintas de suas origens obscuras. A violência presente em histórias como “Chapeuzinho Vermelho” e “João e Maria” foram totalmente amenizadas para dar espaço a conclusões que valorizassem alguma moral. Agora voltado ao público infantil, os contos de fadas fizeram as meninas acreditarem na existência de um príncipe encantado e os meninos a se imaginarem como heróis destemidos.

A verdade é que a ingenuidade dos contos de fadas, especialmente no tratamento conferido às mulheres, que sempre dependem de um cavalheiro para lhe salvarem do perigo e garantir o felizes para sempre, já não convence uma geração de pequenos que andam perdendo a inocência de modo precoce. Fábrica de transformar a fantasia em realidade (leia-se filmes e atrações de parque temático), a Disney entendeu o recado e anda promovendo uma verdadeira revolução em seu baú de histórias.

Após a animação “Frozen – Uma Aventura Congelante” e “Malévola“, a Disney agora traz o musical da Broadway “Caminhos da Floresta”, lançando um olhar diferente do que conhecemos sobre os contos de fadas. No entanto, ao invés de subverter papéis, “Caminhos da Floresta” se mantém fiel justamente às raízes dos contos que se apropria, muitos antecipando as versões definitivas dos irmãos Grimm.

Há aqui Cinderela (Anna Kendrick) escapando diariamente de um príncipe encantado (Chris Pine), o padeiro e sua mulher (James Corden e Emily Blunt) em busca de uma vaca branca como leite, uma capa vermelha como sangue, um cabelo amarelo como milho e sapatos puros como ouro para desfazer o feitiço de feiura de uma bruxa (Meryl Streep) ao mesmo tempo em que ela promete compensá-los com a possibilidade de gravidez e um lobo (Johnny Depp em participação especial) obstinado em saciar a fome devorando uma menina com capuz vermelho (Lilla Crawford) e a sua avó (Annette Crosbie).

Há mais personagens conhecidos em “Caminhos da Floresta”, como Rapunzel (Mackenzie Mauzy) e o seu príncipe (Billy Magnussen), o pequeno João (Daniel Huttlestone) e sua mãe (Tracey Ullman) que o manda vender a vaca da fazenda e a madrasta de Cinderela (Christine Baranski) com as suas filhas histéricas, Florinda e Lucinda (interpretadas respectivamente por Tammy Blanchard e Lucy Punch). Todos buscando uma maneira de realizar os seus desejos particulares em uma floresta que será palco de encontros e desencontros, felicidades e tragédias.

Coreógrafo notável, Rob Marshall atingiu mais sucesso que Baz Luhrmann (“Moulin Rouge”) ao trazer os musicais para o século XXI com “Chicago”. Desde o feito, foi incapaz de entregar algo à altura, incluindo “Nine“, musical que prometia se equiparar ao seu vencedor do Oscar de Melhor Filme. “Caminhos da Floresta” ainda nos faz ter saudades dos números musicais esplendorosos de “Chicago”, mas traz o cineasta de 54 anos retornando à boa forma.

Embora contorne as linhas mais negras dos contos de fadas, “Caminhos da Floresta” se permite a parodiar com sucesso os seus estereótipos mais conhecidos. É impossível não gargalhar diante da afetação do número “Agony”, em que os príncipes de Chris Pine e Billy Magnussen externam suas dores de amores em um riacho, bem como os desdobramentos de algumas decisões. Outro acerto está nos diálogos cantados de Stephen Sondheim, garantindo grandes momentos ao elenco, especialmente Meryl Streep, particularmente espetacular em “Stay With Me”.

Com fatalidades que surpreendem pela frieza como são encenadas, “Caminhos da Floresta” é a confirmação dos rumos mais maduros que a Disney tem imposto em seu arsenal de fantasias, podendo influenciar inclusive o aguardado “Cinderela”, dirigido por Kenneth Branagh e com estreia prevista para abril de 2015. Já era hora.

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