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Resenha Crítica | O Lobo Atrás da Porta (2013)

O Lobo Atrás da Porta

O Lobo Atrás da Porta, de Fernando Coimbra

Diante de tantos crimes passionais relatados diariamente em jornais sensacionalistas da tevê aberta, impressiona o fato de praticamente nenhum ser apresentado ao público pela ficção. Além de naturalmente chocantes, as encenações dos episódios trágicos, atualmente reféns de simulações quase ordinárias, apresentaria um viés interessante de nossa sociedade, marcada por uma opinião pública que aponta dedos precipitadamente, uma justiça lenta e uma desordem de valores.

Um dos crimes mais chocantes de nosso imaginário, o caso da Fera da Penha ocorreu em 1960 e foi levada aos cinemas em 1965 pelo cineasta Rex Endsleigh como “Crime de Amor”, produção hoje extinta. Após menções em livros e até mesmo em um episódio em 2003 no programa “Linha Direta”, a história é relembrada com liberdades pelo diretor estreante Fernando Coimbra no extraordinário “O Lobo Atrás da Porta”.

Sem estragar surpresas para aqueles que desconhecem o caso, o roteiro a princípio centra as atenções no policial vivido por Juliano Cazarré, incumbido de decifrar o responsável pelo desaparecimento de uma menina. É a mãe dela, Sylvia (Fabiula Nascimento), que o procura informando que uma desconhecida se apresentou com o seu nome ao apanhá-la na escola. A seguir, o pai, Bernardo (Milhem Cortaz), é quem relata na delegacia cada um dos eventos dos seus últimos dias. Por fim, é chamada Rosa (Leandra Leal), amante de Bernardo e possível protagonista do rapto.

Através de flashbacks, o também roteirista Fernando Coimbra desenha versões que não se completam sobre um fato pela quantidade de omissões. As tentativas de Rosa em se desconectar do crime são questionáveis, bem como os esforços de Bernardo em sustentar uma persona inocente em uma história de adultério e mentiras muito graves. Há também Sylvia e a constatação de definitivamente desconhecer o homem com quem constituiu uma família e com quem divide a cama.

Ainda que o leque de possibilidades sendo ampliado a cada ano no cinema nacional, o thriller ainda é um gênero estranho em nossa cinematografia recente. “O Lobo Atrás da Porta” presta uma colaboração imensurável a ele através de uma narrativa mantida com uma ferocidade que precisa se manifestar progressivamente. O resultado é visto no empenho de um elenco cercado de intérpretes em seus melhores momentos e em uma condução de planos sem cortes que respeita o perigo presente nas interações dos personagens. Em um ano que contou com a exibição de 102 longas nacionais, “O Lobo Atrás da Porta” é de longe o melhor.

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