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Resenha Crítica | A Teoria de Tudo (2014)

A Teoria de Tudo | The Theory of Everything

The Theory of Everything, de James Marsh

O astrofísico Stephen Hawking é uma dessas figuras reais com uma história que deve ser obrigatoriamente levada aos cinemas. Além de um gênio, como comprova o cargo de diretor no Departamento de Matemática Aplicada e Física Teórica (DAMTP) e de fundador do Centro de Cosmologia Teórica (CTC), Hawking é um verdadeiro exemplo de superação. Diagnosticado com a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) quando ainda era jovem, Hawking foi informado por especialistas de que resistiria por somente dois anos, mas sobreviveu aos infortúnios, tendo completado recentemente 73 anos.

Vencedor do Oscar pelo documentário “O Equilibrista”, James Marsh ainda não tinha obtido muita visibilidade como diretor de ficção, como demostram os poucos vistos “The King” (2006) e “Agente C – Dupla Identidade” (2012). Com “A Teoria de Tudo”, o britânico atinge uma nova etapa na carreira, embora não convertida em uma nomeação ao Oscar, premiação na qual o drama aparece em cinco categorias: Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Atriz, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Trilha Sonora.

A primeira hora de “A Teoria de Tudo” é um primor. Todos os elementos que marcaram a vida de Stephen Hawking (Eddie Redmayne, excelente) em sua juventude em Cambridge são retratados com esmero e emoções controladas. As suas pesquisas científicas, convertidas no best seller “Uma Breve História do Tempo”, não são negligenciadas em uma narrativa que prioriza o seu relacionamento  com Jane Wide (Felicity Jones), a garota que desperta a sua atenção em uma festa entre amigos.

Ao contrário do que se espera, “A Teoria de Tudo” não centra as suas atenções na luta de uma doença irreversível nesta etapa de seu roteiro, mas na força que é reunida para enfrentar a adversidade. Portanto, comove a determinação de Jane em preservar o relacionamento com Stephen quando este anuncia a condição que irá limitar drasticamente o seu corpo e que promete resumir a sua existência. O amor opera realizações na vida deste casal, assegurando inclusive a construção de uma família.

Lamentavelmente, o roteirista Anthony McCarten não cobre a perspectiva mais enriquecedora da vida de Stephen Hawking, preferindo se deixar levar pelas memórias publicadas pela verdadeira Jane Wide para construir “A Teoria de Tudo”. O resultado é uma segunda metade em que várias armadilhas emocionais se sobrepõem às qualidades contempladas, uma mudança registrada com a entrada de Jonathan Hellyer Jones (Charlie Cox), um viúvo que dedica a sua vida à igreja e que desenha com Jane e Stephen um triângulo amoroso.

É evidente que um relacionamento como este não perduraria sem arranho, especialmente pelos desejos que precisam ser abdicados para preservá-lo, mas há um tom incômodo de piedade por personagens que se mostravam notáveis justamente pela resistência que externavam para evitá-lo. Restam assim a promessa de um filme realmente notável, os desempenhos de Eddie Redmayne e Felicity Jones e algumas escolhas de um mau gosto indesculpável, como a cena do apanhar de uma caneta.

One Comment

  1. Recentemente eu vi um filme feito para TV que também falava da vida de Stephen Hawking onde o ator Benedict Cumberbatch interpretava o físico e quando vi A Teoria de Tudo notei muita diferença na história sobre a vida dele.
    A Teoria de Tudo é o melhor filme da safra do Oscar deste ano, dentre os que eu já vi e suas indicações estão perfeitas. Como melhor filme, melhor ator e melhor roteiro adaptado eu acho digno que o filme leve a estatueta.

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