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Resenha Crítica | Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) (2014)

Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) | Birdman

Birdman, de Alejandro González Iñárritu

Quase como o seu intérprete Michael Keaton, Riggan Thomas era um astro em Hollywood que se consolidou ao viver um super-herói e que agora amarga uma espécie de ostracismo. A razão de seu declínio está na recusa em reprisar Birdman em uma quarta aventura do personagem nos cinemas. Muita coisa rolou desde então: a escassez de ofertas de trabalho, a falta de oportunidade de brilhar em um bom papel, o rompimento com a sua esposa Sylvia (Amy Ryan) e um relacionamento despedaçado com Sam (Emma Stone), sua filha única que acaba de sair de uma clínica de reabilitação.

Quando isolado em seu camarim, Riggan é assolado pela presença de Birdman, herdando aparentemente dele habilidades como flutuar durante uma meditação, apagar as luzes sem apertar a o interruptor, mover objetos e voar em Nova York como um Superman. Mas isso não basta, pois Riggan quer mesmo comprovar o seu talento artístico ao viabilizar uma nova montagem de “What We Talk About When We Talk About Love”, conto de Raymond Carver, na Broadway. Mas será se Riggan triunfará diante dos fantasmas de seu passado o acompanhando? Conseguiria manter o controle de seu co-protagonista, o temperamental Mike (Edward Norton)? Seria esmagado pela crítica da inflexível Tabitha (a extraordinária Lindsay Duncan, em um dos momentos mais brilhantes do filme)?

É estranho ver o nome do mexicano Alejandro González Iñárritu associado a um projeto como “Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)”, uma comédia nervosa que nada se assimila com os seus dramas-corais (“21 Gramas”, “Babel”) e as relatos de indivíduos menos favorecidos (“Amores Brutos”, “Biutiful”). A mudança de ares é totalmente favorável ao cineasta, que mergulha com “Birdman” em um experimento arriscado, mas executado com uma excelência técnica de cair o queixo.

Contando com Chris Haarhoff como operador de Steadicam (a câmera acoplada ao corpo) e fotografia de Emmanuel Lubezki, “Birdman” promove a ilusão para o público de que a narrativa é filmada em um único plano-sequência, resultando em uma transição de intervalos ocultada pela dupla de montadores Douglas Crise e Stephen Mirrione que pouco tempo garante para que o fôlego seja retomado durante os bastidores turbulentos de “What We Talk About When We Talk About Love”. O compositor estreante Antonio Sanchez amplia essa atmosfera de urgência com uma música que se apropria apenas de uma bateria.

Além dos conflitos existenciais do próprio protagonista, há várias interações problemáticas disparadas com a velocidade de uma metralhadora em “Birdman”, como as crises com o produtor Jake (Zach Galifianakis), o fato de Lesley (Naomi Watts) e Mike, ex-namorados, contracenarem nos palcos e as investidas amorosas de Laura (Andrea Riseborough), a atriz que fecha o quarteto central de “What We Talk About When We Talk About Love”. São muitos temas para serem processados simultaneamente em uma estrutura raivosa e talvez por isso “Birdman” seja excepcional, pois o desejo em revisitá-lo é muito maior em comparação com a maioria das obras que surgiram neste último award season.

2 Comments

  1. Cinéfila por Natureza Cinéfila por Natureza

    Estou ansiosa para assistir a “Birdman”, porque me parece ser um filme com uma proposta bem diferente do que Hollywood tem se acostumado a fazer. Além disso, tem esse elenco imperdível e que tem arrancado muitos elogios.

  2. Achei que não gostaria do filme, mas ele me surpreendeu pelas suas críticas tão verdadeiras. Receio que o próprio Keaton tenha se divertido demais filmando Birdman.

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