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Resenha Crítica | Força Maior (2014)

Força Maior | Force Majeure

Force Majeure, de Ruben Östlund

Um dos maiores privilégios de um ser humano é a capacidade de raciocinar com clareza diante da tomada de decisões, sejam elas decisivas ou simplesmente corriqueiras. No entanto, muitas vezes essa virtude é negligenciada quando se impõe o instinto de sobrevivência, o que imediatamente nos lança no mesmo patamar dos animais selvagens que ilustram qualquer estágio de uma cadeia alimentar.

O diretor e roteirista Ruben Östlund mostra de forma bem imediato no prólogo de “Força Maior” uma família aparentemente perfeita, posando para inúmeras tentativas para conseguir um retrato digno de um espaço em cima de uma lareira. Tudo para dez minutos depois mostrar o progresso de como ela se desintegra quando o patriarca, Tomas (Johannes Kuhnke), abandona a esposa Ebba (Lisa Loven Kongsli) e o casal de filhos com a vinda de uma avalanche em direção ao restaurante do terraço em que almoçavam.

Sem mortos ou feridos, o fenômeno só não deixa intacta a reputação de Tomas, acusado por Ebba por não proteger a família. Pior: por ter fugido da situação sem antes levar consigo o seu par de luvas e o celular. E assim começam os constrangimentos, tanto pelo fato de Ebba desabafar sobre a atitude nada nobre do marido quanto pelo modo como Tomas se nega a admitir que a sua reação diante do fato pode não ter sido a mais adequada.

Vencedor do prêmio Um Certo Olhar na última edição do Festival de Cannes e lamentavelmente ignorado no Oscar na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, “Força Maior” busca tanto por panorâmicas de paisagens naturais e gélidas como representações da natureza do protagonista como também por planos que o capturam à distância, forçando uma pequenez que parece caçoar de sua masculinidade. Os suecos são ótimos em retratar as suas fraquezas sem qualquer reserva e as coisas não são diferentes para Tomas, nos fazendo criar uma empatia por um homem inegavelmente patético.

Há também a música de Vivaldi como um elemento narrativo, sempre repetida para alertar alguma  dissonância, como as interações entre o casal central com outros turistas hospedados no mesmo hotel, todas bradando o quão excepcionais seriam em uma situação de perigo. Um clímax encenado dentro de um ônibus e ainda mais angustiante que a avalanche inicial é carregado de uma ironia exemplar ao promover uma inversão de papéis.

3 Comments

  1. Cinéfila por Natureza Cinéfila por Natureza

    Só li coisas boas sobre “Força Maior”. Me parece que a categoria de Melhor Filme Estrangeiro, no Oscar 2015, teve ótimos representantes!!!

  2. A cena final desse filme de fato é uma daquelas que a gente vai lembrar sempre. Aliás o filme inteiro é uma daquelas sensações que há muito não se via no cinema!

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