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Resenha Crítica | Mistress America (2015)

Mistress America

Mistress America, de Noah Baumbach

.:: 39ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo ::.

Hoje um dos principais expoentes do cinema independente americano, Noah Baumbach está mantendo um ritmo de trabalho impressionante. No último ano, nada menos do que quatro projetos com a sua assinatura já chegaram ao público. Além de “Enquanto Somos Jovens”, Baumbach é produtor de “Um Amor a Cada Esquina” e divide com Jake Paltrow a direção do documentário “De Palma”, sobre o extraordinário cineasta de “Scarface” e “Carrie – A Estranha”. O quarto e último projeto é “Mistress America”, que estreia dia 19 de novembro nos cinemas brasileiros e o melhor trabalho desse realizador nascido no Brooklyn.

Mesmo com seguidores fiéis, Baumbach continua sendo desprezado por uma parcela de audiência, talvez incômoda com o painel de figuras nem um pouco modestas com as bagagens intelectuais que carregam e com a amargura que destilam diante da constatação de que estagnaram na vida. As irmãs vividas por Nicole Kidman e Jennifer Jason Leigh em “Margot e o Casamento” parecem usar as frustrações pessoais como combustível para se ferirem e o fracasso sempre ofusca o espírito contagiante de Greta Gerwig em “Frances Ha”.

Em “Mistress America”, Lola Kirke (de “Garota Exemplar” e uma mistura de Elizabeth Olsen com Rashida Jones) e Greta Gerwig descobrem-se meias-irmãs quando a mãe da primeira anuncia que se casará com o pai da segunda. Lola é Tracy, caloura em uma universidade prestigiada de Nova York obstinada em entrar com o seu colega Tony (Matthew Shear) em um rígido clube de leitura. E Greta é Brooke, trintona que se revela uma profissional multifacetada ao atuar em vários campos, mas ainda com dificuldades em seguir uma linha reta para ir até o fim com uma única meta, sendo a da vez a abertura de um restaurante.

Tracy nunca teve a atenção de alguma pessoa que exercesse uma forte influência em suas tomadas de decisões. Brooke vem para não somente preencher esse vazio, como também servir de modelo para a criação de “Mistress America”, o conto com o qual pretende arrebatar as atenções de seus colegas universitários. Porém, a Brooke de sua história não é construída de modo muito lisonjeiro, mas a inevitável revelação disso será apenas uma das várias bombas que irão explodir quando ela decidir retomar um assunto mal resolvido de seu passado.

Explica-se: Brooke ainda guarda ressentimentos de sua ex-melhor amiga, Mamie-Claire (Heather Lind). Brooke não apenas alega que ela roubou a sua ideia próspera de estampas para camisas, como também uma antiga paixão, Dylan (Michael Chernus). Eis que ela vai ao encontro desse agora casal para uma reconciliação e um acordo de viabilização para o seu restaurante.

Longe do aconchego do apartamento de Brooke e do campus universitário que Tracy habita, Noah Baumbach seleciona uma bela casa de vidro como o principal cenário de “Mistress América” a partir do segundo ato. E é nela que o filme, que já estava excelente, atinge um estado de graça irretocável, introduzindo ainda outros personagens secundários, como a namorada controladora de Dylan, Nicolette (Jasmine Cephas Jones), Harold (Dean Wareham), o vizinho bisbilhoteiro, e a amiga gestante de Mamie-Claire, Karen (Cindy Cheung).

Nunca se viu Noah Baumbach tão certeiro na mise-en-scène e nos diálogos, estes também assinados por Greta Gerwig e disparados como balas de uma metralhadora. E é exatamente aí que “Mistress America” vai deixando um gosto amargo. É um filme tão sincero e espontâneo em suas intenções que 84 minutos de duração parecem insuficientes. O desejo é o de ficar acompanhando esses personagens instáveis o dia inteiro.

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