Skip to content

Resenha Crítica | Dois Lados do Amor (2014)

Dois Lados do Amor (The Disappearance of Eleanor Rigby - Them)

The Disappearance of Eleanor Rigby: Them, de Ned Benson 

Quando ainda lutavam para ter um lugar ao sol hollywoodiano, Ned Benson e Jessica Chastain tiveram um caso de amor e prometeram um ao outro que fariam um projeto juntos. O relacionamento não perdurou e a sorte sorriu mais rápido para Chastain, hoje uma das atrizes mais requisitadas do cinema. Ainda assim, não abriu mão de seu compromisso com Benson, aproveitando a sua agora forte influência na indústria para viabilizar “Dois Lados do Amor”.

A ideia era promissora: narrar a destruição de um casal após uma fatalidade em dois filmes. Em um, teríamos a versão dos fatos a partir do ponto de vista do homem. No outro, o da mulher. A ideia não é nova e Elizabeth Taylor e o seu marido Richard Burton fizeram algo parecido nos anos 1970 com “Divórcio Dele” e “Divórcio Dela”. De qualquer modo, seria um sopro de novidade em um gênero um tanto defasado com todas as suas adaptações de Nicholas Sparks.

Originalmente nomeado como “The Disappearance of Eleanor Rigby”, “Dois Lados do Amor” teve as suas versões “Him” e “Her” exibidas no Festival de Toronto em 2013. O problema é que tanto Benson quanto Chastain seguiram com o conselho dos irmãos Weinstein em condensar as duas versões em um único filme. A escolha não ajudou o projeto, um fracasso comercial e com críticas ao modo superficial em como passagens complexas eram agora exibidas em um resultado comprimido.

Em “Dois Lados do Amor”, é muito mais fácil termos empatia por Eleanor Rigby (Jessica Chastain) do que por Conor Ludlow (James McAvoy). Privilegiada no corte da versão mixada, Eleanor é cercada de bons personagens em seu processo de reestruturação, principalmente Friedman, uma professora universitária interpretada por Viola Davis. Para Conor, restou as banalidades de tocar um bar prestes a fechar as portas e de buscar aconselhamentos com o seu pai (Ciarán Hinds). Também incomoda a presença de Isabelle Huppert como a mãe de Eleanor, sendo flagrada em absolutamente todas as cenas com uma taça de vinho.

Como o lançamento de “Him” e “Her” é impraticável no Brasil, mesmo em homevideo, “Dois Lados do Amor” é ainda assim digno, um relato acima da média sobre o longo processo de superação do luto. Também é autêntico como Ned Benson cria uma espécie de balança emocional do casal, com um lado pendendo para o outro conforme Eleanor e Conor vão lidando distantes um do outro com as adversidades e oportunidades inevitáveis do destino. Mais um detalhe que merece uma atenção redobrada é como o músico americano Son Lux pontua os sentimentos de desapego e esperança em sua bela trilha sonora, que encerra “Dois Lados do Amor” com a canção “No Fate”.

Be First to Comment

Follow

Get every new post on this blog delivered to your Inbox.

Join other followers:

%d blogueiros gostam disto: