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Resenha Crítica | Sniper Americano (2014)

Sniper Americano (American Sniper)

American Sniper, de Clint Eastwood

Considerado o franco-atirador mais letal da história dos Estados Unidos, Chris Kyle é uma concentração de tudo o que há de arriscado quando se discute o senso de patriotismo dos americanos, sejam eles civis ou membros de um exército. “Não me importo com o número de mortes que provoquei, mas me orgulho de ter salvado tantos americanos” é apenas algumas das declarações frias de Kyle, que eliminou mais de 250 pessoas durante o período que atuou para a Marinha dos Estados Unidos.

Não à toa, “Sniper Americano”, uma cinebiografia de Chris Kyle, é o maior sucesso comercial de Clint Eastwood no cinema americano, tenho obtido 350 milhões de dólares. Um feito extraordinário para um astro há 45 anos na atividade de diretor. Claro que esse resultado foi cercado de polêmicas, com centenas de artigos expondo a reação de um público que se expressou inspirado em redes sociais pelas ações de Kyle.

Os críticos mais rígidos decretaram “Sniper Americano” como uma propaganda. Por mais controverso que seja Clint Eastwood, não se pode reduzir a sua realização desse modo. Ainda assim, é inegável que fez um filme estranho, no sentido de provocar aversão ao mesmo tempo em que tenta oferecer um tratamento humano ao seu personagem, interpretado com excelência por Bradley Cooper.

Humano porque Eastwood, por meio do roteiro de Jason Hall e do livro do próprio Chris Kyle, busca compreender as circunstâncias que o levaram ao campo de guerra e ao ser laureado como um herói pele sua nação. Talvez por Kyle ter sido uma reprise de uma geração bruta, reconhecida pelo caos provocado no Vietnã. Wayne (Ben Reed), o seu pai, faz parte dela, um sujeito que instrui os seus filhos a agirem como cães pastores em uma sociedade composta por lobos e cordeiros.

“Sniper Americano” traz aqueles que certamente são as cenas mais gráficas já compostas por Eastwood, registrando sem reservas uma criança sendo morta por um iraquiano com uma furadeira ligada diretamente em seu crânio. Também enxerga Kyle cada vez mais distante do ambiente familiar, ainda que Taya (Sienna Miller, também em um bom momento) seja a esposa mais amorosa e atenciosa possível.

Talvez o problema de “Sniper Americano” seja o de não manter um posicionamento firme a respeito da história que relata, uma consequência da pressão de estar falando sobre uma figura pública ainda em alta conta para muitas pessoas que preservam o seu histórico. Por isso é tão diferente de “Guerra ao Terror”, pois não há meias palavras na postura de Kathryn Bigelow em encarar qualquer luta à mão armada como o mais perigoso dos vícios de toda a história da humanidade.

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