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Resenha Crítica | Calvário (2014)

Calvário (Calvary)

Calvary, de John Michael McDonagh 

Corre o tempo e a religião segue como a instituição que provê ao devoto a compreensão de sua própria espiritualidade para tornar a experiência terrena mais suportável com todas as adversidades que ela garante. No entanto, como tolerar o fracasso da humanidade quando a igreja perde a sua legitimidade por corromper uma alma pura?

Antes de se tornar um padre, James (Brendan Gleeson) estava entregue ao alcoolismo, uma consequência para a perda de sua inestimável esposa. Encontrou no ofício de sacerdote um meio para purificar o corpo e a alma. Pacientemente, orienta os habitantes desequilibrados de uma minúscula cidade irlandesa para buscarem caminhos menos tortos.

No instante em que inicia “Calvário”, padre James está no confessionário e houve a declaração de um sujeito que promete matá-lo em questão de dias. A justificativa é o trauma que carrega desde garoto, quando foi molestado por um padre não mais vivo. Eliminá-lo seria uma ação de vingança e, sem reação, padre James apenas prossegue com as suas responsabilidades diárias, sem conseguir se esquivar da perturbação provocada pelo ultimato.

De certo modo, a contagem regressiva serve como mero pano de fundo diante da obstinação do padre James em reforçar a sua função de conselheiro espiritual. Depara-se com indivíduos desagradáveis e perdidos, como a sua filha suicida (Kelly Reilly), a mulher adúltera (Marie-Josée Croze), um jovem cumprindo pena (Domhnall Gleeson), um milionário enfadonho (Dylan Moran), entre outros. Ao falhar, nota a sua insignificância e o perda de tempo ao intervir com boas intenções na vida alheia.

Com essa premissa, John Michael McDonagh poderia enveredar para um humor negro inadequado, uma impressão automática para aqueles que inevitavelmente rememoram o terrível “O Guarda”, filme que realizou com Brendan Gleeson em 2011. Felizmente, o irmão de Martin McDonagh (“Na Mira do Chefe”) renasce em “Calvário” com a seriedade que acompanha os passos pesados do protagonista. Com consciência, oferece uma visão de mundo deprimente e converte o padre James em mártir para revelar a desesperança como única saída para aqueles que enxergam tarde demais o poço no qual afundaram.

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