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Resenha Crítica | O Duplo (2013)

O Duplo (The Double)

The Double, de Richard Ayoade 

Morto há 135 anos, o escritor russo Fiódor Dostoiévski segue como o dono de uma obra considerada inadaptável para o cinema. Ainda que mais de duzentas produções cinematográficas e televisivas carreguem o seu nome nos créditos do roteiro adaptado, são poucos aqueles que se debruçam verdadeiramente sobre o texto para conceber algo que vá além da mera inspiração.

Isso se dá porque o também filósofo lidou com muita complexidade com ações e emoções humanas indesejadas, como o ensaio de um ato bárbaro e os devaneios que nos assombram em períodos de depressão. Um conteúdo que requer muito preparo psicológico e bagagem literária para ser prestigiado e com uma precisão na descrição que afugentam um esboço visual adequado em nossa imaginação.

Jovem diretor de “Submarine”, o britânico Richard Ayoade não se deixou amedrontar pelo desafio de levar ao cinema “O Duplo”, romance publicado em 1846. A sua estratégia foi a de congelar em um tempo não determinado o universo de Simon (Jesse Eisenberg) enquanto aproxima o seu drama da realização improvável de inversão de papéis com um outro indivíduo fiel a sua imagem, um jogo similar daquele proposto em “O Homem Duplicado”, baseado no também inadaptável José Saramago.

Pois é o que acontece ao seu protagonista, um sujeito tímido e isolado sequer notado na agência governamental na qual trabalha e que ainda precisa lidar com a mãe enferma (Phyllis Somerville) que o despreza. Sua vida passa a receber cores vívidas com a vinda de um potencial interesse amoroso, Hannah (Mia Wasikowska). Mas eis que James tumultua o seu cotidiano, sendo um sujeito idêntico a ele e com características opostas, como o carisma, o charme e a persuasão.

Dono de uma dicção que o faz disparar palavras com a velocidade de uma metralhadora, Jesse Eisenberg é uma escolha perfeita para viver os dois extremos de um mesmo indivíduo. Além do mais, Ayoade conta com uma equipe que o auxilia a aproximar “O Duplo” de uma mistura do surrealismo de Terry Gilliam com o terror psicológico de Roman Polanski, um efeito assegurado na tela graças a direção de fotografia de Erik Wilson e o design de produção de David Crank.

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