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Resenha Crítica | Perdido em Marte (2015)

Perdido em Marte (The Martian)

The Martian, de Ridley Scott 

Como legado, Ridley Scott já assegurou alguns manuais de como se fazer uma grande ficção-científica. Afinal, não se vê obras do gênero mais referenciadas (quando não imitadas) do que “Alien, O Oitavo Passageiro” e “Blade Runner, O Caçador de Androides”, que redefiniram o terror no espaço e a filosofia em tempos de domínio tecnológico.

Com 78 anos, o britânico tem prosseguido com a carreira com uma leva recente cheia de altos (“Êxodo: Deuses e Reis”) e baixos (“O Conselheiro do Crime”). “Perdido em Marte” é o seu feito mais recente e o resultado obtido é ótimo, digno de um veterano com entusiasmo juvenil. Parte do crédito se deve ao roteiro de Drew Goddard, baseado no romance homônimo de Andy Weir e esperto ao rever os chavões de expedições com astronautas.

Durante uma missão em marte com uma equipe da NASA liderada por Melissa Lewis (Jessica Chastain), uma tempestade não prevista a faz regressar à Terra de imediato. Em meio a confusão, Mark (Matt Damon) se perde de seus colegas. Oficializa-se a baixa, mas logo Mark consegue estabelecer contato para comprovar que sobreviveu ao infortúnio natural.

Ao invés de aguardar passivamente por um resgate que tarda a ser viabilizado (haverá riscos se Melissa voltar com a sua tripulação), Mark usa o seu conhecimento para habitar o planeta como um marciano, planejando meios para sobreviver antes que todos os recursos se esgotem. Paralelamente, acompanha-se na Terra o que é feito para contornar o esquecimento de um herói e como resgatá-lo.

Ainda que seja questionável a vitória de “Perdido em Marte” na categoria de Melhor Filme – Comédia na última edição do Globo de Ouro, não há como negar que o humor assegura o frescor da aventura, com Mark sendo um protagonista empático pela ironia como encara as adversidades, como a instabilidade de um planeta inóspito e a solidão. Reparem também como Ridley Scott consegue promover um filme democrático ao rever alguns estereótipos. Temos, por exemplo, Jessica Chastain em uma posição de autoridade, além de Donald Glover como um nerd que apresentará um plano infalível para o retorno de Mark. Curiosa é também a parceria dos americanos com os chineses, que obviamente clamarão por algum mérito.

O que impede “Perdido em Marte” em ser um grande filme é o quanto ignora um elemento extremamente importante e cada vez mais lidado com descuido em produções hollywoodianas: o quão devastadora é a passagem do tempo para personagens em situações como a de Mark. Mesmo que a montagem de Pietro Scalia sinalize ao público cada um dos saltos narrativos e Matt Damon conte com recursos de maquiagem e de computação gráfica para exibir como o seu corpo é afetado, a sensação é de estarmos diante de um empecilho que parece se resolver em questão de semanas, e não de tortuosos anos. Uma quebra de ilusão que nos faz importar um pouco menos com “Perdido em Marte”.

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