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Resenha Crítica | Sr. Turner (2014)

Sr. Turner (Mr. Turner)

Mr. Turner, de Mike Leigh

Nascido no século XVIII em Londres, Joseph Mallord William Turner encontrou na pintura um refúgio para uma adolescência solitária. De origem modesta, o talento lhe permitiu ingressar a Academia de Londres, saindo dela com a bagagem cultural que o faria retratar belas paisagens que o consolidariam como um dos expoentes do Romantismo, tendo como principal diferencial o estudo sobre a luz na pintura.

Embora Mike Leigh caracterize “Sr. Turner” como uma cinebiografia, o seu foco não está precisamente no método de trabalho de Will Turner, mesmo que Timothy Spall tenha se preparado durante dois anos para fazer jus ao papel. O seu interesse recaí não sobre o artista, mas sobre o homem por trás da obra.

Na composição de Spall, Will Turner parece uma alma presa a uma grande carcaça, movendo-se a passos lentos e que praticamente rosna diante de negativas e frustrações. É visto como um sujeito mimado terrivelmente abalado com o falecimento de seu pai (Paul Jesson), além de usar a sua serviçal (a excelente Dorothy Atkinson) como mero objeto para satisfazer o seu apetite sexual e de negligenciar a paternidade das filhas que sequer reconhece.

A abordagem pouco lisonjeira de Will Turner permite a audiência conhecer a intimidade de um artista eternizado por seus assuntos principalmente marinhos do que por sua conduta questionável. Por essa razão, Mike Leigh nem sempre reconhece essas duas faces como sendo a de um único indivíduo, inclusive pela ausência de Turner em um contato direto com aquilo que irá inspirar o seu próximo quadro. As exceções surgem somente quando o diretor de fotografia Dick Pope compreende o entorno da encenação para concatenar pequenos elementos com as pinceladas de Turner sobre a tela.

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