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Resenha Crítica | Whiplash: Em Busca da Perfeição (2014)

Whiplash - Em Busca da Perfeição (Whiplash)

Whiplash, de Damien Chazelle 

Ao ter como tema os bastidores de um campo artístico, o cinema costuma ter interesse especial para flagrar um protagonista obstinado em superar os seus limites para atingir a perfeição em seu ofício. Com isso, vem a negligência nas relações interpessoais, a rivalidade entre colegas e um comportamento obsessivo que anuncia o rumo à ruína.

Em 2013, o jovem cineasta Damien Chazelle foi a Sundance com um curta-metragem protagonizado por Johnny Simmons e J.K. Simmons. Nele, abordava a relação abusiva de um professor, Fletcher, com um aluno de música, Andrew. Saiu do festival não apenas com o prêmio do júri de melhor curta de ficção, mas com um orçamento de aproximadamente 3 milhões de dólares de investidores que apostaram na premissa para uma versão em longa-metragem.

J. K. Simmons reprisa o papel de Fletcher, levando os principais prêmios de Melhor Ator Coadjuvante no último ano. Já Johnny Simmons é substituído por Miles Teller, excelente em papéis que não primam pelo carisma, como vem a ser o caso de Andrew, um talentoso baterista que luta para ingressar o prestigiado conservatório de jazz da instituição em que estuda.

Não existe meias palavras neste filme também roteirizado por Damien Chazelle, como se vê em situações de humilhação extrema de Fletcher ao observar o mais pequeno dos descuidos, carregando em cada palavra dita uma autoridade que faz Andrew mergulhar em um estado de penitência ao ponto de permitir que suas mãos sangrem com a agilidade com que comanda as suas baquetas. Tudo sem qualquer ato de autopiedade, enraivecendo ainda mais a narrativa.

Raivosa é também como Chazelle comanda cada componente de sua própria orquestra. Notem a sintonia perfeita entre o som com cada nota emitida por instrumentos musicais, uma mixagem feita com perícia na pós-produção. Percebam como a montagem de Tom Cross harmoniza os seus cortes para nos lançar diretamente nos ensaios e espetáculos, captando reações dos atores condizentes com cada movimento e o progresso da partitura.

Além do domínio técnico, Chazelle tem tanta fluência do seu próprio texto que ainda é capaz de visualizar na vilania de Fletcher e no fracasso de Andrew dois componentes opostos que irão se articular em parceria na tentativa de alcançarem algo que vá além de suas capacidades. Conclui-se assim um grande filme que extrai de nós os aplausos que não encena.

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