Skip to content

Resenha Crítica | O Tesouro (2015)

Comoara, de Corneliu Porumboiu

É difícil os brasileiros terem a chance de conhecer a fundo o cinema romeno e as poucas oportunidades são asseguradas a partir das credenciais que um filme pode carregar em seu cartaz, como os prêmios obtidos no circuito de premiações. Terceiro filme de Corneliu Porumboiu a desembarcar no circuito comercial do país, “O Tesouro” ganhou em Cannes uma das categorias da mostra Um Certo Olhar e contou com um bom público em suas duas exibições no INDIE 2015 Festival Cinema.

No entanto, a produção é ditada por um ritmo bem particular, capaz de provocar incômodo em espectadores pouco habituados com a cinematografia do país europeu. Mas se “Polícia, Adjetivo”, também um vencedor em Cannes na mostra Um Certo Olhar, parecia ter pouco a oferecer em uma narrativa linear e despida de grandes acontecimentos, “O Tesouro” é muito ciente de seu tom de fábula.

Também roteirista, Corneliu Porumboiu já evidencia no primeiro ato de “O Tesouro” a influência de “Robin Hood”, muito importante de ser considerada, especialmente para digestão dos desdobramentos finais. Protagonista da história, Costi (Toma Cuzin) é convencido a emprestar para o seu vizinho Adrian (Adrian Purcarescu) uma determinada quantia para o aluguel de um detector de metais. O objeto seria usado para localizar um tesouro, aparentemente enterrado na propriedade de um parente já falecido.

A princípio relutante, Costi acaba comprando a possibilidade do tesouro realmente existir, negociando com Adrian a divisão igualitária dos rendimentos. Porém, mais do que manter segredo sobre essa busca (há leis que asseguram para as autoridades a retenção dos bens cavados), Costi e Adrian precisarão ter muita paciência para explorar cada ponto do terreno, uma vez que objetos como pregos e vigas acionam o detector de metais.

Descartando a frieza investigativa de “Polícia, Adjetivo”, Corneliu Porumboiu reconhece em “O Tesouro” a necessidade da presença do humor para o curso de sua história. Manifesta-o não somente com a inserção de um terceiro personagem, Cornel (Corneliu Cozmei), um sujeito que irá operar o detector de metais, como também para as ações que cada um comete, sempre de algum modo alinhadas com a situação econômica em que estão enclausurados. Portanto, nada melhor do que uma esperança fantasiosa para aplacar a realidade.

Be First to Comment

Follow

Get every new post on this blog delivered to your Inbox.

Join other followers:

%d blogueiros gostam disto: