Skip to content

27° Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo | Parte #5

Encerramos com esta leva de comentários a nossa breve e modesta cobertura do Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo, cuja 27ª edição foi a primeira que acompanhamos. Como cada sessão de duas horas conta com uma média de cinco curtas, infelizmente se tornou inviável tratar sobre cada obra assistida, ainda que tenhamos feito a escolha de dedicar somente um parágrafo para cada uma.

Aproveitamos também para compartilhar aqueles que foram eleitos os curtas favoritos pelo público, resultado dividido em duas categorias: mostra nacional e mostra internacional e latino-americana.

.

MOSTRA BRASIL

* “Estado Itinerante”, de Ana Carolina Soares (MG)
* “Fotográfrica”, de Tila Chitunda (PE)
* “Galeria Presidente”, de Amanda Gutiérrez Gomes (SP)
* “Impeachment”, de Diego de Jesus (ES)
* “Índios No Poder”, de Rodrigo Arajeju (DF)
* “O Delírio é a Redenção dos Aflitos”, de Felipe Fernandes (PE)
* “Pele de Pássaro”, de Clara Peltier (RJ)
* “Quando os Dias Eram Eternos”, de Marcos Vinícius Vasconcelos (SP)
* “Quem Matou Eloá?”, de Lívia Peres (SP)
* “Retalho”, de Hannah Serrat (MG)

.

MOSTRAS INTERNACIONAL E LATINO-AMERICANA

* “237 Anos”, de Ioana Mischie (Romênia, França)
* “A Banheira”, de Tim Ellrich (Áutria)
* “O Adeus”, de Clara Roquel (Espanha)
* “No Estacionamento”, de Juliana Orea Martínez (México)
* “Fuga”, de Pierre Le Gall (França)
* “Clandestinos”, de Fabio Palmieri (Itália)
* “As Coisas Simples”, de Alvaro Anguita Araya (Chile)
* “Madame Black”, de Ivan Berge (Nova Zelândia, Reino Unido)
* “Timecode”, de Juanjo Giménez (Espanha)

.

Além da votação do público, o Festival também anunciou os vencedores dos prêmios viabilizados a partir de apoiadores e colaboradores para os realizadores participantes.

.

PRÊMIO ITAMARATY

* Melhor curta brasileiro: “Quando os Dias Eram Eternos”, de Marcos Vinícius Vasconcelos (SP)

 

PRÊMIO REVELAÇÃO

* Melhor curta brasileiro de cursos de cinema ou audiovisual: “Sesmaria”, de Gabriela Richter Lamas (UFPel – RS)

PRÊMIOS AQUISIÇÃO

PRÊMIO CANAL BRASIL DE INCENTIVO AO CURTA-METRAGEM

* “Retalho”, de Hannah Serrat (MG)

 

PRÊMIOS SESCTV PARA NOVOS TALENTOS

* Melhor filme brasileiro de diretor estreante: “Sesmaria”, de Gabriela Richter Lamas (RS)

* Melhor filme internacional de diretor estreante: “Um Documentário”, de Marcin Podolec (Polônia)

PRÊMIO AQUISIÇÃO CURTAS TNT

* Melhor curta brasileiro de ficção: “Lá do Alto”, de Luciano Vidigal (RJ)

PRÊMIO TV CULTURA

* Melhor curta do Panorama Paulista: “Orquestra Invisível Let´s Dance”, de Alice Riff (SP)

 

PRÊMIO CANAL CURTA! E PORTA CURTAS

* Melhor curta dos Programas Brasileiros: “Abigail”, de Valentina Homem e Isabel Penoni (PE)

 

TROFÉUS E DESTAQUES

 

PRÊMIO VERMELHA – SPCINE

* Melhor curta dos Programas Brasileiros dirigido ou codirigido por uma mulher: “Estado Itinerante”, de Ana Carolina Soares (MG)

* Menção Honrosa: “Fotográfrica”, de Tila Chitunda (PE)

 

TROFÉU ABCA “O KAISER” PARA MELHOR ANIMADOR

* “Vaysha, A Cega”, de Theodoro Ushev (Canadá)

TROFÉUS “BORBOLETA DE OURO” – DESTAQUES LGBT

* Prêmio especial: “Antiman”, de Gavin Ramoutar (Guiana)

* Melhor curta Internacional: “Azul”, de Kaira Paköz (Turquia)

* Melhor curta brasileiro: “O Chá do General”, de Bob Yang (SP)

MENÇÃO TV CULTURA PARA NOVOS TALENTOS

* “Maioridade” (Oficina ‘Nóis na Fita’)
* “Eu Mesma” (Oficina ‘Nóis na Fita’)

.

Fiquem a seguir com breves análises sobre os últimos filmes que assistimos do Festival, que se despediu de São Paulo neste domingo, 4 de setembro.

.

A Dez Prédios Daqui (Ten Buildings Away / Asara Rehovot Mea Etsim)
Israel, 25′, dir. Miki Polonski

O diretor e roteirista Miki Polonski exibe uma perspectiva bem periférica de Israel, construindo uma relação familiar que promete desmoronar a qualquer instante através da conduta autoritária da figura paterna. Mas são os irmãos adolescentes que assumem o protagonismo da história, escapando das aparentes repressões domésticas apostando corridas em uma avenida. A conclusão obscura pode ser interpretada como um reflexo da perda prematura da inocência em uma sociedade de homens severos.

A Moça que Dançou com o Diabo (idem)
Brasil, 14′, dir. João Paulo Miranda

A expectativa pela recepção de “Aquarius” em Cannes foi grande. Mesmo que não correspondida com prêmios, os brasileiros puderam comemorar duas vezes: com a vitória de “Cinema Novo”, de Eryk Rocha, na categoria de documentários, e também com a menção especial que João Paulo Miranda recebeu pelo curta “A Moça que Dançou com o Diabo”. Louros à parte, o filme de Miranda não confere uma plenitude narrativa. Mesmo detendo uma cena final visualmente impactante, a visão sobre o conservadorismo religioso do nosso país soa limitado e a duração é insuficiente para comprarmos a transformação abrupta da protagonista.

Fronteira em Combustão (idem)
Brasil, 20′, dir. Thiago Chaves Briglia

Bem intencionado, o curta de Thiago Chaves Briglia acaba comprometido por uma visão mais televisa que cinematográfica diante de um texto baseado em ocorrências verídicas: o comércio ilegal de combustível trazido da fronteira entre o Brasil e a Venezuela. Gilberto (Anderson Souza) é um pai de família desempregado que acaba topando a recomendação de Riba (Bebeco Pujucan) de cruzar a fronteira para “puxar” gasolina. A falta de sutileza da dramatização fica bem evidente em duas cenas envolvendo Gilberto: uma na qual ele se esconde da polícia em cima de uma árvore e em outra na qual reencontra a família debaixo de um chuveiro.

.

Vabagunda de Meia Tigela

Vagabunda de Meia Tigela (idem)
Brasil, 24′, dir. Otavio Chamorro

A comparação pode ser exagerada, mas essa realização de Otavio Chamorro não fica muito a dever diante de um Gregg Araki. Ambientado em uma escola de Distrito Federal, Chamorro dá vida à locação a partir de um uso bem cuidado de cores, bem como costuma fazer Araki, responsável por ter dado uma identidade aos filmes LGBT produzidos independentemente lá fora. A comédia traz como protagonista Jonas João, que encontra um livro de simpatias e pretende preparar uma para fisgar Rômulo, o rapaz mais popular da turma. Os minutos finais acabam sofrendo com alguns diálogos pouco inspirados, mas os personagens e as situações são bastante divertidas.

Quem Matou Eloá? (idem)
Brasil, 24′, dir. Lívia Perez

O caso Eloá continua ecoando atualmente, sendo usado como uma referência quando se estuda os resultados desastrosos de um sequestro a partir das ações inadequadas da polícia e da imprensa. O país nunca havia televisionado durante tantas horas um crime como o que levou a morte da adolescente de 15 anos pelo seu ex-namorado e o documentário em curta-metragem de Lívia Perez trata de reviver os principais detalhes a partir de depoimentos de especialistas diante das imagens do cárcere. Perez por vezes erra ao selecionar recortes de falas que somente reafirmam o que já testemunhamos no amplo material midiático, mas não se furta de pressionar o dedo em uma ferida à época pouco discutida: como Lindenberg, o algoz, virou uma prioridade diante de Eloá, a vítima, e o quanto isso reflete a falta de peso conferido às mulheres em situações de violência.

Be First to Comment

Follow

Get every new post on this blog delivered to your Inbox.

Join other followers:

%d blogueiros gostam disto: