Skip to content

Resenha Crítica | Lampedusa (2016)

Lampedusa, de Peter Schreiner

.:: INDIE 2016 Festival Cinema ::.

Lampedusa forma com Lampione e Linosa um arquipélago de três ilhas situadas no meio do Mar Mediterrâneo. Sendo a maior em extensão e número de habitantes, a ilha italiana deixou de lado a beleza que lhe é natural para dar lugar a um ambiente de contrastes. Nos últimos três anos, transformou-se no destino de refugiados da África e do Oriente Médio.

O cineasta Gianfranco Rosi ganhou o prêmio máximo no Festival de Berlim com o documentário “Fogo no Mar”, problematizando a questão da imigração a partir de depoimentos colhidos dos refugiados hoje presentes em Lampedusa. Vale também destacar “No borders – Un Mondo dei Migranti in Realtà”, este também um documentário sobre o mesmo tema premiado recentemente no Festival de Veneza.

Mais afeito a ficção, o veterano cineasta austríaco Peter Schreiner prefere um tratamento mais cinematográfico sobre Lampedusa, ainda que não se furte de às vezes trazer veracidade a sua narrativa em takes de depoimentos que emulam um documentário. Além do mais, Lampedusa não recebe interferências cenográficas, com paisagens e ruínas exibidas como verdadeiramente são.

Há dois protagonistas em “Lampedusa”. A primeira é a turista Giulia (Giuliana Pachner), uma senhora que se aproxima dos 60 anos com a saúde debilitada. A ilha mediterrânea já havia servido de refúgio para a resolução de algumas crises de seu passado, mas hoje é um novo lugar. Com metade da idade de Giulia, Zak (Zakaria Mohamed Ali) é jornalista e vive em Roma. É flagrado se reconectando a Lempedusa, antes o seu lar quando fugiu da guerra civil na Somália.

Com um orçamento de apenas 100 mil euros, “Lampedusa” traz Peter Schreiner lidando com nada menos que cinco funções: direção, roteiro, produção, fotografia e montagem. A sua maior contribuição sem dúvida é com a estética obtida. Não há escolha melhor para explicitar distinções do que o uso do preto e branco e as imagens do longa são inegavelmente estonteantes, especialmente em planos fechados nos atores, que se assemelham a retratos com movimentos mínimos, mas cheios de leituras a partir das linhas faciais.

A questão é que o resultado prático não é tão arrebatador quanto soa na teoria. “Lampedusa” mais parece um tratado sobre a existência humana (o protagonismo de Giulia sobre Zak é evidente) do que uma leitura poética de uma realidade. A Lampedusa vista não traz tensão ou horror. Ela vem a ser somente um repouso de uma mulher diante de um fim anunciado pelo tique-taque lúgubre do relógio.

Be First to Comment

Follow

Get every new post on this blog delivered to your Inbox.

Join other followers:

%d blogueiros gostam disto: