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Resenha Crítica | Coração de Cachorro (2015)

Heart of a Dog, de Laurie Anderson

It is a pilgrimage… towards what?

Artista multimídia, a americana Laurie Anderson certamente se viu sensibilizada com temas como a morte e o amor ao executar o seu trabalho com o peso da perda de Lou Reed, de quem foi companheiro de 1992 até o seu falecimento em 2013. Exibido no ano passado durante a 39ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, “Coração de Cachorro” vem a ser um dos resultados desta etapa em que Anderson se reservou para rever a sua filosofia de vida.

No entanto, o icônico roqueiro do “The Velvet Underground” é visto somente em breves segundos de gravações caseiras e não tem o seu nome citado por sua parceira na vida íntima e também artística. A primeira figura a se formar com a costura de imagens e sons experimentais é a de Lolabelle, terrier que não resistiu às doenças contraídas com o avanço da idade.

A partir de Lolabelle, Laurie Anderson compartilha outras circunstâncias particulares em que a linha entre a vida e a morte se mostrou tênue, seja em sua relação com o artista Gordon Matta-Clark, notório por suas intervenções em construções abandonadas, seja na paranoia pós-11 de Setembro. A fase de sua infância também desempenha uma participação importante na narrativa de “Coração de Cachorro”, especialmente no que se refere a um acidente que a enclausurou em um centro de emergência hospitalar e na dificuldade em reter boas lembranças envolvendo a sua mãe pouco amorosa.

Ainda que o documentário seja exclusivamente sobre as experiências dramáticas de Laurie Anderson ao longo de sua própria vida, não se pode caracterizá-lo como uma cinebiografia. A diretora rejeita uma linha do tempo linear e dá um novo sentido aos fragmentos de sua memória, sempre testando o potencial de uma linguagem que não se relaciona desde o curta-metragem de 2005 “Hidden Inside Mountains”.

Desenhos em movimento, justaposições, registros captados pelos mais variados suportes e uma narração terna formam um panorama reflexivo universal a partir da ideologia budista de Anderson para aplacar a tristeza de uma existência que segue testemunhando vários finais ao seu redor. Uma tristeza que Anderson não autoriza que a consuma até a vinda de seu próprio fim.

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