A indústria cinematográfica nunca escondeu sua preferência por profissionais mais jovens e belas na seleção ao formar um cast, descartando as marcas da idade de uma atriz amadurecida. Para reverter essa situação, as mesmas acabam optando pela escolha de se sustentar com cirurgias plásticas para a busca da aparência perfeita como chamariz do público. Um tema pouco debatido que Amy Heckerling selecionou para abordar na sua nova comédia “Nunca é Tarde Para Amar”. É a Mãe Natureza da comediante Tracey Ullman que se encarrega de desabafar, numa pequena sequência antes dos créditos iniciais, sobre a beleza física que os humanos insistem em preservar. Mas não há pessoa melhor do que a musa Michelle Pfeiffer para servir de modelo para este retrato. E não é desnecessário mencionar aqui que Pfeiffer já seja vítima desta fatalidade artística, vendo que a mesma já encarnou recentemente uma ex-miss Baltimore sem o mesmo prestígio de outrora e uma bruxa que almeja a beleza de uma estrela cadente..
Com uma produção que poderia facilmente ser rotulada como comédia romântica típica, Heckerling mostra que deu longos passos para não receber tal inglória. É o altar de sua nova década em atividade, que já foi marcada na década de 1980 com um ousado retrato adolescente em “Picardias Estudantis” e na década de 1990 na caricatura exposta pela classe média alta em “As Patricinhas de Beverly Hills”. Faz-se necessário tal honra num filme onde há boas risadas, um estudo sobre essa obsessão pela beleza e que ainda encontra despretensão para alfinetar pelas modificações musicais realizadas pela filha de Rosie (Saoirse Ronan, a Briony de “Desejo e Reparação”) o incompetente governo Bush.
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Título Original: I Could Never Be Your Woman
Ano de Produção: 2007
Direção: Amy Heckerling
Elenco: Michelle Pfeiffer, Paul Rudd, Saoirse Ronan, Fred Willard, Sarah Alexander, Twink Caplan, Stacey Dash, Jon Lovitz e Tracey Ullman
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