
Com o lançamento do esplêndido “Casa de Areia e Névoa”, muitos se surpreenderam que por trás deste aclamado drama estava um diretor embarcando na sua primeira viagem como diretor. Estrelado por Jennifer Connelly e Sir Ben Kingsley, a adaptação do livro de Andre Dubus III revelou Vadim Perelman como um diretor que se empenhou de forma única numa premissa que fala sobre a conquista de um sonho e, de forma pessimista e real, como este objetivo pode atingir uma outra pessoa que também luta pela mesma coisa. Neste caso, uma residência que pertence a um, mas que por erros judiciais acaba no poder de outro. Os cinéfilos que apreciaram este longa sabe como as coisas se desenrolam e o aguardo de um novo projeto do diretor era inevitável, excluindo, claro, o clipe de Kelly Clarkson que ele realizou, “Because of You”. Em “Sem Medo de Morrer” Perelman consegue repetir a surpresa. Mas ela não é nada favorável.
Adaptação do romance de Laura Kasischke, “Sem Medo de Morrer” costura o passado e presente de uma mesma mulher, Diana McFee – interpretada na adolescência por Evan Rachel Wood e quando mais velha por Uma Trurman. Mesmo diante de uma vida harmoniosa, tendo um bom trabalho e a responsabilidade de mãe e esposa, a Diana de Uma Trurman apresenta um comportamento estranho quando é completado quinze anos desde um tiroteio que chocou o município onde vive. Esta tragédia aconteceu no colégio onde Diana estudava e, além de presenciar este horror, ela perdeu sua melhor amiga, Maureen (Eva Amurri, muito popular entre os jovens pela sua rebelde Cassandra em “Galera do Mal”). Um certo sentimento de culpa e dor aparece e sintonizando o passado com alguns acontecimentos recentes começamos a compreender o que tornou Diana uma pessoa incapaz de superar este acontecimento.
É no paralelo dessas dois tempos que “Sem Medo de Morrer” perde a sua força gradativamente. O que é encenado e aceito em breve será mostrado novamente sem que muito seja acrescentado a própria narrativa. E não ajuda muito quando a família de Diana adota posturas que ela não aguardava, todas dispensáveis no fim das contas, como a desobediência de sua pequena filha Emma (Gabrielle Brennan) no escola religioso onde estuda e no adultério cometido pelo seu marido Paul (Brett Cullen). Esses erros de percursos impedem que os dois momentos fundidos no filme fluem com naturalidade e, com exclusividade, aquele onde as duas amigas, Diana e Maureen, estão diante do perigo. Assim, o único destaque vai mesmo pela exuberante fotografia de Pawer Edelman (“O Pianista”, “Ray”), realçando cores através de uma virtude ausente no restante do drama: vida. O desfecho, no entanto, pode dar o que falar.
Título Original: The Life Before Her Eyes
Ano de Produção: 2007
Direção: Vadim Perelman
Elenco: Uma Thurman, Evan Rachel Wood, Eva Amurri, Gabrielle Brennan, Brett Cullen, Oscar Isaac e Jack Gilpin
Nota: 5.5
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