A comédia romântica é um gênero que requer certa compreensão de seu espectador. Ainda que, assim como qualquer outro modelo de filme, sempre traga um exemplar que possibilite alguma originalidade, os romances gerados de situações cômicas oferecem uma maior quantidade de longas muitas vezes inspirados na velha fábula de Cinderela, no amor que cresce com o tempo, a aproximação ou a distância, diferença de classes, entre outros argumentos. Não importa o quanto uma trama de desvie de certas regras do gênero, pois o desfecho quase sempre nos confortará com o “felizes para sempre”, tendo que reservar paciência e encarar o que os filmes tem de melhor para nos oferecer. “O Melhor Amigo da Noiva” é um filme deste padrão, mas é tão repugnante que é um horror. Mas não o horror traduzido em objetos cortantes, sangue ou coisa desta linha, mas, sim, aquele que toma forma e movimento através de um roteiro enfadonho.
Aqui, Patrick Dempsey é Tom, aquele modelo de homem bem-sucedido profissionalmente e que conquista e leva para cama com facilidade a mulher que quiser. No início de “O Melhor Amigo da Noiva” ficamos sabendo qual o primeiro instante que ele conheceu Hannah (Michelle Monaghan, de “Beijos e Tiros”), que no presente é a sua melhor amiga e companheira para todas as horas. Só que algo abala essa amizade. Ao Hannah viajar a trabalho para a Escócia, acaba por conhecer Colin McMurray (Kevin McKidd), com quem apresentará a Tom como seu noivo. Daí os ciúmes por parte do protagonista aparecem e aos poucos tentará convencer a sua melhor amiga a não se casar. Mas as coisas complicam quando ele é convidado para ser a dama de honra no casamento de Hannah.
Com três responsáveis por esta coisa de premissa, Adam Sztykiel, Deborah Kaplan, Harry Elfont, é vergonhoso constatar que “O Melhor Amigo da Noiva” extraia suas idéias principais daquela comédia romântica que foi uma das melhores fitas (ou melhor) produzidas na década passada, “O Casamento do Meu Melhor Amigo”, na cara dura. Assim como Julia Roberts, Dempsey descobre tarde demais que sua amiga é a mulher ideal para viver para o resto da vida. Mas Paul Weiland não transmite o mesmo carinho que P. J. Hogan tem pelo seu filme e pelos personagens que está lidando. Pelo contrário: o protagonista aqui é um sujeito mau caráter rodeado de amigos nada carismáticos e que acredita que pode mostrar as suas virtudes em companhia destes disputando jogos com aquele que é o seu rival tanto em quadra e no campo quanto na conquista de uma mesma mulher. O desfecho somos capazes de antecipar no primeiro ato e o caminho que percorremos até ele é tortuoso, mas nada consegue ser mais lamentável do que ter este “O Melhor Amigo da Noiva” como a última colaboração de Sydney Pollack como ator. Competente nesta função nos seus próprios filmes (“A Intérprete”, “Tootsie”) como naqueles que trabalhou com outros cineastas (“De Olhos Bem Fechados”, “Fora de Controle”), aqui Pollack é encarregado de lidar com o papel do pai de Tom.
Título Original: Made of Honor
Ano de Produção: 2008
Direção: Paul Weiland
Elenco: Patrick Dempsey, Michelle Monaghan, Kevin McKidd, Kadeem Hardison, Chris Messina, Richmond Arquette, Busy Philipps, Kathleen Quinlan e Sydney Pollack.
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