
I Know Who Killed Me, de Chris Sivertson
O diretor Chris Sivertson passou por um grande calvário ao lançar o suspense “Eu Sei Quem Me Matou”. Neste seu segundo longa metragem – anteriormente só havia realizado o desconhecido “The Lost” com Dee Wallace, diva dos filmes de terror – Sivertson conquistou inúmeras nomeações e vitórias na edição de 2008 do Framboesa de Ouro, não houve retorno esperado do público quando seu filme foi exibido em 2007 nos Estados Unidos e recebeu uma reprovação quase completa de público e crítica. Não se pode dizer, no entanto, que se trata de uma leitura equivocada que muitos tiveram com o seu suspense (apesar de comentários grosseiros terem sido uma constante sobre a sua obra), mas “Eu Sei Quem Me Matou” não é um filme para fácil apreciação. Mas com um orçamento razoável que teve em mãos (estima-se que o valor do longa seja de 11 milhões de dólares), pode-se dizer que Sivertson alcançou feitos impressionantes, seja no que se diz respeito a todo caprichado trabalho técnico, seja por conseguir trabalhar sem pressão diante de uma narrativa arriscada de se apresentar para um público que garantia o seu ingresso para propostas pouco ousadas dentro do gênero.
Aqui Lindsay Lohan, num papel sob medida para o seu talento e beleza, encara um papel duplo. Mas não é uma certeza se de fato a atriz está incorporando uma personagem com crise de múltipla personalidade ou que realmente é quem diz ser. A princípio o público conhece Aubrey Fleming, uma jovem comportada e aluna acima da média, que abandona o seu talento como pianista para se dedicar a escrita. Após torcer para o seu namorado Jerrod (Brian Geraghty) num campeonato noturno de futebol americano no colégio onde estuda, Aubrey desaparece de forma misteriosa em pleno toque de recolher, uma medida de segurança arquitetada quando uma jovem com a mesma faixa etária de Aubrey é encontrada morta. É claro que será Aubrey a próxima vítima. O grande mistério é que, depois de ser encontrada viva sem um dos braços e uma das pernas, a garota estranha quando seus pais (interpretados por Neal McDonough e Julia Ormond) a reconhecem como Aubrey, pois ela insiste de que seu nome é Dakota Moss. Ela é a chave para que os detetives da cidade onde vive capturem o serial killer, mas a agora Dakota não reconhece as pessoas que a cercam, tem uma postura muito diferente a da sempre apresentada por Aubrey e se desespera quando sente muitas dores de forma inexplicável no próprio corpo, assim como muitos hematomas.
O que torna “Eu Sei Quem Me Matou” um filme tão original é que esta curiosa premissa não é só encenada através de falas e cenas suspicazes. Mesmo que um novato, há algo que Chris Sivertson pratica em bons momentos do seu projeto que muito se assemelha, surpreendentemente, aos trabalhos de diretores como Brian De Palma, que aqui Sivertson se influencia em toda a projeção. Ecos de “As Irmãs Diabólicas” são acionados e existe um personagem, do qual não deve ser mencionado, que muito lembra o jeito sinistro de atuação do ator William Finley. E isto se apresenta num grande vigor que tem com o uso de cores, artimanhas com a câmera (o diretor usa o split screen na revelação do mistério) e a música de Joel McNeely para colaborar ainda mais para o clima sobrenatural e poético de “Eu Sei Quem Me Matou”. Sem pretensão alguma, obtêm um resultado muito curioso e elegante com tintas vivas de vermelho e azul como metáfora do Bem e do Mal, de como esses lados tão opostos entre si só caminham quando unidos.
É claro que nem sempre Sivertson é confiante neste recurso e deixa que certas passagens um tanto dispensáveis (mas que não comprometem o ritmo do filme) do roteiro de Jeff Hammond façam com que a ação se deixe falar por este lado místico empregado, como na transa de Jerrod com Dakota, um momento até engraçado e que colabora para deixar ainda mais evidente as mudanças das personagens de Lohan, mas que beneficiaria mais o filme se não existisse. Não é fácil encarar quase todo o filme com Lohan sem alguns membros do corpo e com uma trama que além de todos esses elementos complexos envolvem stigmatismo, segredos do passado e a já citada abordagem de lados opostos. Mas o seu andamento e especialmente a sua conclusão (Sivertson preparou um final alternativo, mas sabiamente selecionou o melhor desfecho) são originais e os enigmas não muito fáceis de serem solucionados ao longo da projeção são interessantes de serem analisados.

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