Kristin Scott Thomas está entre aquelas que são as melhores e mais belas atrizes em atividade. Mas esta extraordinária atriz britânica, que confessa ter iniciado a sua carreira com o pé esquerdo (“Sob o Luar da Riviera”, dirigido por Prince, é o seu primeiro filme), parece ter suas interpretações ignoradas pelo pouca repercussão que seus trabalhos apresentam. E essa falta de atenção se aplica no seu desempenho em “Há Tanto Tempo Que Te Amo”, o melhor da sua carreira. E isto vindo desta magnífica dama que esteve tão bem em “Quatro Casamentos e Um Funeral”, “O Paciente Inglês”, “Assassinato em Gosford Park”, “De Bico Calado” ou “Tempo de Recomeçar” definitivamente não é pouco. Como Juliette Fontaine, Kristin Scott Thomas, antes considerada como uma entre as cinco indicadas ao Oscar 2009 na categoria de melhor performance feminina principal, deixa quase todas as concorrentes pela estatueta numa escala bem abaixo de sua magnitude.
Em seu primeiro longa metragem, Philippe Claudel constrói uma história dolorosa. O centro são as irmãs Juliette (Scott Thomas) e Léa (Elsa Zylberstein, de “Modigliani – A Paixão pela Vida” e “A Pequena Jerusalém”). O prólogo já nos mostra o porquê dessas duas irmãs se reencontrarem somente após um intervalo de quinze anos. É porque Juliette foi presa por cometer um crime pelo qual não deve se recuperar pelo resto de sua existência. E vai uma dica: não procure por detalhes sobre o drama – o crime em questão leva um tempo a ser anunciado e ele acontece de forma impactante. E embora Léa e o seu marido Luc (Serge Hazanavicius) já saibam sobre isto é um enigma as razões que a levaram a tal. Ainda assim, o casal hospeda Juliette em sua casa, mas com comportamentos suspeitos vindo de Luc. Mas Juliette parece pagar ainda mais pelo que fez. Conquistar o seu espaço, tendo um emprego, amigos e um lar será uma tarefa árdua por causa do seu passado.
Claudel insiste em permanecer oculto a informação que Léa sempre persegue sobre as motivações de sua irmã mais velha, mas “Há Tanto Tempo Que Te Amo” é um filme sobre redenção. O ato que Juliette cometeu a princípio é imperdoável, só que o seu silêncio é justificável. E não se pode deixar de destacar Elsa Zylberstein, que é um bom contrapeso da protagonista. Enquanto Juliette é uma mulher mais deprimida, Léa completa a alma do filme e o equilibra respondendo por várias explosões de sentimentos. E sequências de partir o coração não faltam em “Há Tanto Tempo Que Te Amo”, especialmente na cena onde Juliette visita a sua mãe (participação de Claire Johnston) pela primeira vez após ganhar liberdade, que perdeu a memória. O aniversário de Juliette e a participação desta num repouso de final de semana com os amigos de Léa e Luc também são momentos marcantes. Por mais que não seja totalmente extraordinário por conta do espectador conseguir antecipar o que acontecerá no último ato, “Há Tanto Tempo Que Te Amo” usa da redenção de Juliette como uma amostra de que sempre haverá uma oportunidade em nossa existência para um recomeço.
Título Original: Il y a longtemps que je t’aime
Ano de Produção: 2008
Direção: Philippe Claudel
Elenco: Kristin Scott Thomas, Elsa Zylberstein, Serge Hazanavicius, Laurent Grévill, Frédéric Pierrot, Lise Ségur e Claire Johnston.
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