Filho do falecido pintor Roy Lichtenstein, Mitchell Lichtenstein (que logo completará cinquenta e três anos de idade) investe em “Teeth” a sua primeira experência de diretor de longa-metragem após um longo tempo como ator em alguns filmes (“O Banquete de Casamento”, de Ang Lee) e participações pequenas em seriados televisivos como “Miami Vice” e “Lei & Ordem”. Já com um segundo longa concluído – que estreou na última semana no Festival de Berlim -, “Happy Tears“, Lichtenstein havia confirmado o seu interesse em prosseguir com as aventuras da jovem Dawn O’Keefe, a personagem principal de “Teeth”, grande sensação na sua passagem pelo festival de Sundance em 2007 e que ainda não tem previsão para lançamento no Brasil.
Dawn, interpretada pela excelente Jess Weixler (prêmio especial do Júri de Sundance como melhor atriz dramática), é uma jovem estudante que é um dos elos principais de um grupo que “prega” a importância da “pureza” e o quanto ela deve ser mantida. Melhor dizendo: nada de relações sexuais. Só que ela está naquela fase da adolescência onde se manter afastada do sexo oposto se torna algo insuportável. E a atração pelo seu colega Tobey (Hale Appleman) cresce a cada novo dia. Só que ele não é aquele homem doce que sempre esteve presente em sua imaginação, rompendo os votos de castidade transando com Dawn sem a vontade desta. Mas não é a tentativa de estupro que assusta a inocente garota e, sim, a dor e a perda de um certo membro de Tobey. Logo Dawn desvenda que foi amaldiçoada por algo conhecido como “Vagina Dentata”, que se diz respeito a uma lenda de tribos indígenas de uma mulher com dentes em sua vagina. E só um homem ideal (ou herói, segundo o mito) pode livrar Dawn desta maldição.
Este argumento que serviu para Lichtenstein desenvolver todo o roteiro, outrora usada com pouco destaque em outros longas e obras literárias, não tem nada de trash. Mitchell Lichtenstein cria um filme repleto de tomadas silenciosas e faz desta anomalia de Dawn algo surpreendente crível, o que amplia os seus receios pelas primeiros sintomas da sua sexualidade. Mas o filme reserva o seu humor negro, especialmente nas cenas envolvendo as relações sexuais da protagonista. E o prestígio que Lichtenstein ganhou da crítica com este seu primeiro filme, o que muito deve ter influenciado no interesse de celebridades como Demi Moore, Parker Posey e Ellen Barkin no seu longa posterior, é mais do que merecido. Inclusive, o público feminino tem muito o que comemorar com uma afirmação acertada da imprensa, declarando este como o autêntico sucessor de “Atração Fatal”. É claro que “Teeth” não é um filme sobre adultério, mas os homens, assim como no longa de Adrian Lyne, terão motivos o suficiente para deixarem os seus zíperes bem fechados.
Título Original: Teeth
Ano de Produção: 2007
Direção: Mitchell Lichtenstein
Elenco: Jess Weixler, John Hensley, Josh Pais, Hale Appleman, Lenny von Dohlen, Vivienne Benesch e Ashley Springer
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