Jonathan Demme nunca retornou à boa forma de “O Silêncio dos Inocentes” nos trabalhos posteriores a este do antológico Hannibal Lecter e da mocinha Clarice Starling. Só que realizou outros longas acima da média, como a refilmagem de “Sob o Domínio do Mal”, mesmo com o terrível “O Segredo de Charlie” – atualização de “Charada” – em sua filmografia.
Vale também dizer que “O Casamento de Rachel” não é tão formidável quanto alguns dramas similares, como “Segredos e Mentiras” e “Do Jeito que Ela É”, mas é um ótimo filme. Aqui, o cineasta deixa em desenvolvimento muitas características do cinema independente com boa habilidade, capturando sequências com câmeras digitais e fazendo com que a música seja ouvida como elemento em movimento da própria ação.
A trama da estreante Jenny Lumet, filha de Sidney Lumet, é sobre Kym (Anne Hathaway, indicada ao Oscar 2009 pelo seu forte desempenho), não de Rachel, como o título talvez possa sugerir. Ela acaba de conseguir uma licença da clínica de reabilitação.
Desde muito nova viciada em bebidas e em drogas, a jovem usará essa “folga” para celebrar o casamento de sua irmã Rachel (Rosemarie DeWitt, para quem não sabe, a neta de Jimmy Braddock, o famoso boxeador conhecido como Homem Cinderela e que teve sua vida retratada em “A Luta Pela Esperança”).
Mas os preparativos para a celebração do casório entre Rachel e seu noivo, Sidney (Tunde Adebimpe), passam por atritos pelo nebuloso passado de Kym que atingiu a toda a família, resultando até mesmo na separação entre os seus pais, Paul (Bill Irwin) e Abby (Debra Winger, que protagoniza com Anne a sequência mais impactante de todo o filme).
Dos vários roteiros finalizados que Jenny Lumet tem guardados em sua gaveta, este é o primeiro a ser rodado. Antes chamado de “Dancing with Shiva”, o texto já comprova que a roteirista de 32 anos tem um belo caminho a cruzar nos cinemas, mesmo que recorra a um ou outro momento não muito bem elaborado, como um entre os vários conflitos entre Kym e Rachel dentro de um salão de cabeleireiros.
Mesmo assim, “O Casamento de Rachel” tem um rendimento total de todo o elenco, até mesmo dos figurantes, que fazem com que o espectador tenha a sensação de estar muito próximo de todos aqueles momentos festivos ou mais densos.
Outro ponto a se considerar é a harmonia com que a produção celebra as diferenças, utilizando os vários gêneros musicais do clímax como metáfora para as diferentes personalidades daquelas pessoas que sempre se abatem e que, no fim das contas, devem ser abraçadas e superadas.
★★★★
Rachel Getting Married
Direção de Jonathan Demme
Assistido em DVD (Sony Pictures)

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