Em 2008, os irmãos cineastas Joel e Ethan Coen receberam reconhecimento total no Oscar com as quatro vitórias no evento com o filme “Onde os Fracos Não Têm Vez”. Além da interpretação magistral de Javier Bardem, houve vitórias com o roteiro adaptado, a direção e, finalmente, o filme.
Em “Queime Depois de Ler”, os diretores surpreendem. Se antes esperava-se que os irmãos se reunissem novamente para rodar um filme aos moldes de “Onde os Fracos Não Têm Vez”, aqui eles entregam uma comédia. Mesmo assim, já sabemos que este é o gênero no qual eles estão mais à vontade.
Desta vez, elaboram uma obra bem divertida e dinâmica, mas o resultado é o mesmo oferecido em outros títulos da dupla, como “Matadores de Velhinha”, “O Amor Custa Caro” e “E Aí, Meu Irmão, Cadê Você?”.
O que essas três fitas citadas têm em comum com “Queime Depois de Ler” é que, a princípio, estamos diante de argumentos que geram bons instantes de humor, mas que carregam certa deficiência no encaminhamento para o final. A projeção é tão pirada quanto os seus personagens.
Linda Litzke (Frances McDormand, excelente) e Chad (Brad Pitt, num dos seus melhores desempenhos) trabalham numa academia de ginástica com Ted (Richard Jenkins). Quando Chad encontra um disquete, Linda se une a ele para fazer chantagem com o material e tentar lucrar o suficiente para pagar as cirurgias plásticas a que tanto sonha submeter-se.
Acontece que Linda e Chad pensam que constam no disquete arquivos sigilosos de alguma corporação quando, na verdade, é um livro de memórias de Osbourne Cox (John Malkovich), que foi dispensado da CIA por problemas vindos de seu vício com o álcool.
O plano acaba entrelaçando outras pessoas, como a esposa de Cox (Tilda Swinton) e o amante desta, Harry Pfarrer (George Clooney) – que realiza encontros com mulheres por meios virtuais, inclusive com Linda. Se a armação é hilária, logo as coisas começam a naufragar.
Joel e Ethan Coen lidam muito com humor negro em seus filmes e, da metade em diante, começam a acontecer tragédias de proporções gigantescas. Isso faz com que os personagens, tão patetas e muito simpáticos, sejam eliminados de uma forma tão impressionante (no mau sentido) que é capaz de fazer o filme perder toda a graça.
O encerramento dado para cada um deles, bem inconclusivo, deixa muito a desejar. Mas a intenção aqui de Joel e Ethan Coen é só montar uma brincadeira. Pena que ela não seja tão divertida quanto poderia ser.
★★★
Burn After Reading
Direção de Joel e Ethan Coen
Assistido em DVD (Universal Pictures)

Deixe um comentário