Ao que tudo indica, vamos receber muitos filmes que lidam das mais diversas maneiras o fim do mundo como se viu há dez anos atrás com alguns blockbusters como “Fim dos Dias” e “Armageddon”. “Presságio” apresenta este acontecimento catastrófico, mas não vamos entrar em muitos detalhes. Na verdade o novo filme de Alex Proyas, cujo roteiro é assinado por Ryne Douglas Pearson, Juliet Snowden e Stiles White, apresenta inicialmente um outro mistério.

Essa primeira etapa foca a estranha Lucinda (Lara Robinson) executando uma tarefa do colégio onde estuda em Lexington, Massachusetts. O ano é 1959 e a professora Taylor (Danielle Carter) coloca dentro de uma cápsula do tempo todos os desenhos dos seus alunos que correspondem com aquilo que imaginam que será concretizado no futuro. É claro que Lucinda arma outra coisa, sendo números aleatórios ao invés de algo mais objetivo. Dá que a geração seguinte será a responsável por visualizar esses desenhos e Caleb (Chandler Canterbury), filho do professor de astrofísica John (Nicolas Cage), é aquele que apanha o envelope que consta a folha com todos aqueles números.

Só que numa daquelas noites solitárias de embriaguez (a mulher de John faleceu depois de um incêndio) o professor bate os olhos em alguns números que ficaram em destaque quando acidentalmente deixou o seu copo com bebida em cima da folha que deveria ser devolvida pelo seu filho no colégio. Os números são 911012996 e separando por barras se forma 9/11/01/2996. Simplificando: temos uma data, o 11 de Setembro, e posteriormente o número de mortos (2996 foram o total de pessoas encontradas mortas no atentado às Torres Gêmeas). Basta somente esta noite para ele ligar todos os números com vários desastres que aconteceram dentro de cinquenta anos. E o pior: há três desastres anunciados através de Lucinda que ainda não aconteceram. Para impedir o caos, John procura por Diana (Rose Byrne), filha de Lucinda, para ajudá-lo.

A trama intrigante aponta para uma promessa de filme. E “Presságio” ganha muito com Alex Proyas como seu diretor. Responsável por “O Corvo”, talvez a melhor adaptação de quadrinhos produzida na década passada, e “Cidade das Sombras”, dado como um filme visualmente revolucionário, aqui o cineasta nascido no Egito entrega ao menos um momento memorável, sendo o plano -sequência do primeiro dos três desastres que o personagem de Cage tenta impedir. No entanto, a história se perde totalmente no último ato, onde a palavra “desastre” é o que melhor se pode usar para classificá-lo. É um caso que remete ao do filme “Os Esquecidos”, suspense estrelado por Julianne Moore em 2004, mas com resultados ainda piores. Ou seja, com tantos rumos que poderiam tomar, os roteiristas selecionam aquele mais “viajadão” que manda para os ares toda a boa reputação que o longa tinha obtido de nós até então.

Tírulo Original: Knowing
Ano de Produção: 2009
Direção: Alex Proyas
Roteiro: Juliet Snowden, Ryne Douglas Pearson e Stiles White
Elenco: Nicolas Cage, Rose Byrne, Chandler Canterbury, Lara Robinson, Nadia Townsend, Alan Hopgood, Danielle Carter e D.G. Maloney
Cotação: 2 Stars

60 respostas a “Resenha Crítica | Presságio (2009)”

  1. Avatar de Renzo
    Renzo

    Alex Gonçalves, vc escreveu sua critica em 04/2009 e até hoje, assim como as outras pessoas que queriam um final diferente, não apresentou sua versão.
    Utilizar a palavra “viajadão” para caracterizar o final do filme foi uma péssima escolha. Só porque os roteiristas escolheram um final com ET’s?
    O fato de não termos provas da existência de ET’s quer dizer que eles não existem? Quantas coisas existem atualmente que nem sequer eram cogitadas antigamente?
    Apesar de não me interessar pelo que está escrito na Bíblia, não descarto sua importância, e achei brilhante a idéia de adaptar seus textos e mostrar uma versão diferente do que geralmente as pessoas imaginam para o fim do mundo.

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  2. Avatar de Alex Gonçalves

    Renzo, eu sou somente um espectador, não um roteirista. Como disse ao André, esperava que o filme conferiria uma conspiração, uma ameaça do além como a chave do mistério. “Presságio” é “viajadão” por desenhar um final muito incoerente com tudo aquilo que haviamos assistido antes do último ato. Momento final este que despedaça totalmente a expectativa do público.

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  3. Avatar de Clara Borges
    Clara Borges

    Foi muito interessante quando Cage – John, morre queimado e soterrado no final.

    Foi o melhor logo depois de I Robot ( Eu robo ).

    Muito massa, porque tem sangue, caras que ficam falando Everyone ( Todos ) , uma nave que leva aou outro planete, para que Caleb e a filha de Lucinda para refazerem a humanidade.

    Kiss para todos.

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  4. Avatar de Alex Gonçalves

    Clara, não gosto de “Eu, Robô”. Assim como também não gostei de “Presságio”… Beijos!

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  5. Avatar de Lucas
    Lucas

    Voce le a sinopse do filme e pensa: eis um filme que vale apena, e até valeu, nos 20 primeiros minutos, até que derrepente apareçe 4 ETs, e adivinhem, de terno e dando um monte de pedras pretas que não sei até agora o que significa,no final, Cage não salva ninguem e todos morrem, a unica superação dele é abraçar seu pai faltando um minuto para a morte.

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  6. Avatar de Alex Gonçalves

    Lucas, cuidado com os spoilers, alguém que não assistiu o filme pode de repente passar por aqui e ler o seu comentário.

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  7. Avatar de Dica de Filme: Presságio - Devaneios de Chocolate

    […] contando demais, e tentada a contar o final, então, se quiserem ler uma boa resenha, entrem no Cine Resenhas, o blog do cinéfilo Alex […]

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  8. Avatar de Melhores de 2010: Ator « Cine Resenhas

    […] sobrinho de Francis Ford Coppola até tentou mostrar serviço em projetos mais sérios como “Presságio” e “As Torres Gêmeas”, cujos resultados foram desapontadores. A parceria que […]

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  9. Avatar de Mistério da Rua 7 « Cine Resenhas

    […] Quando um projeto é assinado pelo americano Brad Anderson, a certeza é de que estaremos diante de algo pouco usual no cinema. Quem assistiu o romance com toques de ficção científica “Feliz Coincidência” e o drama psicológico “O Operário” conhece os caminhos narrativos inusitados empregados pelo realizador e o quanto ele os manipulam tão bem. É um autêntico cinema autoral, que também não está livre de tropeços. Algo que acontece em “Mistério da Rua 7″. O roteiro assinado por Anthony Jaswinski é um dos mais intrigantes já rodados recentemente no gênero, mas as responsabilidades de Brad Anderson na direção de episódios de seriados como “Boardwalk Empire”, “Fringe” e “Treme” provavelmente impediram os tratamentos necessários para a história, que em linhas gerais não passa de uma versão indie do frustrante “Presságio“. […]

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  10. Avatar de Procura-se Um Amigo Para o Fim do Mundo | Cine Resenhas

    […] marcará o fim do planeta e da espécie humana. Daí a ligação entre filmes como “2012”, “Presságio” ou mesmo “Melancolia”: estranhos entre si, tais títulos se relacionam ao apresentarem […]

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