No best-seller “Os Delírios de Consumo de Becky Bloom”, lançado no Brasil pela Editora Record, de Sophie Kinsella, a jornalista Rebecca Bloomwood é uma consumidora compulsiva que acumula em seu quarto inúmeras peças de roupas e calçados sem ao menos ter como pagar por tudo isto. Os desdobramentos da jovem diante das adversidades, especialmente aquelas relacionadas ao dinheiro e ao emprego, possibilitaram uma série de livros que, mundialmente, já vendeu mais de 15 milhões de cópias. Nos cinemas, a obra ganha uma ótima adaptação com o experiente P. J. Hogan no comando.
Escrita por Tracey Jackson, Tim Firth e Kayla Alpert, a Rebecca Bloomwood dos cinemas segue com a mesma descrição dada por Sophie Kinsella nos livros. Aqui ela é incorporada pela excelente Isla Fisher, no seu primeiro filme popular como protagonista. Portadora de uma carteira repleta de cartões de crédito, Becky Bloom se mete em encrencas quando calcula com sua amiga Suze (Krysten Ritter) o total de dívidas que acumula. Daí a nossa shopaholic não sabe o que fazer, vendo que o valor é altíssimo, quase 16 mil dólares, e que está sem emprego após o cancelamento da revista na qual trabalhava.
Acontece que lhe aparece uma oportunidade quando, na verdade, tenta agarrar aquela que é o seu sonho: trabalhar na Alette Magazine, a mais famosa publicação voltada à moda feminina, comandada pela elegante Alette Naylor (Kristin Scott Thomas). Só que ela acaba sendo contratada pelo editor Luke Brandon (Hugh Dancy), cobrindo artigos de Finanças em outra revista da mesma editora. O que era para se tornar o seu declínio profissional acaba sendo aquilo que a fará muito famosa já no seu primeiro artigo publicado, o qual a fará ser conhecida como “A Garota da Echarpe Verde”. Mas como Becky vai ser capaz de lidar com este trabalho que a faz esconder o seu espírito consumista?
Assim como em “O Casamento de Muriel”, “O Casamento do Meu Melhor Amigo”, “Amor a Toda Prova” e “Peter Pan”, Paul J. Hogan se mostra um diretor dinâmico e muito eficiente na direção de elenco, embora seja questionável certo desperdício de John Lithgow e Lynn Redgrave. Vale lembrar, no entanto, que muitos atores foram escalados para o filme quando ele já estava sendo rodado.
Mas o que vale é a ternura que Hogan apresenta em seus filmes, sempre resultando em programas muito adoráveis. Esta emoção se torna bem forte pela maneira descontraída com a qual ele é capaz de encenar, com a notável contribuição de Isla Fisher, o prazer que temos pelas compras.
De fato, elas trazem aquelas sensações de felicidade e satisfação pessoal que surgem quando investimos a nossa grana em nós mesmos. Mas o que Becky Bloom aprenderá, e o público verá já com aquela vontade de torrar os trocados que tem no bolso com tudo aquilo que lhe agrade à vista nas vitrines das lojas, é que tudo tem um limite.
★★★★
Confessions of a Shopaholic
Dirigido por P. J. Hogan
Assistido nos cinemas (Disney)

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