Em 1993, Jennifer Chambers Lynch estreou nos cinemas como cineasta em “Encaixotando Helena”, aquele que é um dos trabalhos mais constrangedores de toda a década passada. Para quem não sabe muito bem sobre a má fama do longa, vale dizer que o seu registro não é nada agradável. Os problemas do filme já se apresentavam antes mesmo das câmeras de Jennifer começarem a funcionar: Kim Basinger, a então ilustre protagonista, desistiu de viver a Helena do título. A bela Sherilyn Fenn, que viveu Audrey Horne em “Twin Peaks”, ficou em seu lugar, enquanto Basinger teve que vender Braselton, a cidade que antes comprou por alguns milhões e que usaria como atração turística. A venda estava relacionado ao desacordo que aconteceu entre a estrela e os produtores de “Encaixotando Helena”. Ela assinou contrato, mas desistiu do filme. Os produtores armaram um processo e venceram.
Já o filme é um tremendo equívoco, mas vamos ao capítulo mais recente de Jennifer, dado no ótimo “Sob Controle”. Como todos devem saber, Jennifer Chambers Lynch é filha de David Lynch e teve poucas inclusões no cinema. Fez pequena participação em “Eraserhead” (que pode passar despercebido) e com aproximadamente 25 anos dirigiu “Encaixotando Helena”. A verdade é que ela sumiu, sendo estabelecido um intervalo de 15 anos entre o filme estrelado por Julian Sands e “Sob Controle”. Em “Sob Controle” a história, bem fragmentada, é de dois agentes do FBI, Sam e Elizabeth (papéis de Bill Pullman e Julia Ormond, fantásticos). Ambos são designados a desvendar os crimes misteriosos cometidos por um serial killer. Existem três sobreviventes: Jack Bennet (Kent Harper, também roteirista e produtor), detetive com grave ferimento em uma das mãos, Bobbi (Pell James), garota viciada em drogas e Stéphanie (Ryan Simpkins), menina mais astuta do que se imagina e que estava viajando com a sua família.
E serão os três que testemunharão cada detalhe que antecede o massacre que participaram em uma estrada. E os crimes, por sinal, são encenados com um talento e veracidade impressionante. O fato de ouvirmos “Add It Up”, do “Violent Femmes”, na grande sequência contestam o bom gosto musical de Jennifer (o mesmo fez em “Encaixotando Helena” em uma cena sensual ao som de “Woman in Chains”, do “Tears for Fears”). Mas os esforços da diretora que também assina o roteiro com Kent Harper que valem muito a pena serem observados é o poder que confere aos detalhes. Pode-se dizer que é algo que ela herdou de seu pai, mas ela o faz de forma independente. Os filmes de David Lynch são quebra-cabeças onde é o espectador que se encarregará de visualizar a figura que deseja depois de montar as peças. Jennifer Lynch o monta e apresenta a imagem. Mas a experiência que é acompanhar cada informação durante esse percurso em “Sob Controle” é algo eletrizante.
Título Original: Surveillance
Ano de Produção: 2008
Direção: Jennifer Chambers Lynch
Elenco: Bill Pullman, Julia Ormond, Pell James, Ryan Simpkins, French Stewart e Kent Harper.
Cotação: ![]()
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