
O título do longa-metragem dramático dirigido na Turquia e também escrito por Nuri Bilge Ceylan corresponde aos Três Macacos Sábios, figuras do folclore japonês. Eles são Kikazaru (o que tapa os ouvidos), Mizaru (o que tapa os olhos) e Iwazaru (o que tapa a boca). Os três símios representam assim três ações como “não ouvir o mal”, “não ver o mal” e “não falar o mal”. Isto também é representado através dos três personagens centrais de “3 Macacos”, uma família composta por um casal e um filho.
Servet (Ercan Kesal), um homem prestes a se eleger em um cargo político, se envolve em uma morte, atropelando acidentalmente um indivíduo ao final da noite. Não querendo responder por esta situação, pois a placa do seu carro foi anotada por um casal que passou pela estrada um pouco depois do acidente, estabelece uma proposta ao seu motorista Eyüp (Yavuz Bingol), que não estava presente na circunstância que dá início ao filme, sendo o de responder por esta morte e ir preso em troca de muito dinheiro. Ele aceita e é a sua esposa Hacer (Hatice Aslan) e o seu filho Ismail (Rifat Sungar) os beneficiados.
Ao desenvolver essa premissa em seus primeiros trinta minutos, “3 Macacos” trata de nos mostrar as consequências dessa escolha e os estranhos segredos dessa família, que envolve uma tragédia do passado. Premiado em Cannes como melhor diretor, Nuri Bilge Ceylan desenvolve a partir deste ponto um filme que se comunica mais pela imagem do que pela palavra. Informado isso, há de se elogiar o trabalho singular de fotografia de Gökhan Tiryaki. As cores em tons escuros, que em momentos vem acompanhados de chuvas e trovoadas, é impactante. O texto, no entanto, parece deixar de existir. Havendo um equilíbrio maior entre a encenação e a narrativa, “3 Macacos” com toda certeza seria um trabalho com a densidade esperada. Da forma como foi elaborado, o interesse em acompanhar os desdobramentos da vida do trio familiar é zero.
Título Original: Üç maymun
Ano de Produção: 2008
Direção: Nuri Bilge Ceylan
Elenco: Yavuz Bingol, Hatice Aslan, Rifat Sungar, Ercan Kesal, Cafer Köse, Gürkan Aydin.
Nota: 2.0
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