É extremamente comum no cinema hollywoodiano testemunharmos vários intérpretes de incrível talento ter as suas carreiras rapidamente destruídas por escolhas equivocadas tanto na vida profissional quanto pessoal. Mickey Rourke é um entre vários casos existentes. Embora nunca tenha demonstrado em cena um empenho visceral, extraordinário, Rourke conquistou vários espectadores em filmes da década retrasada, como “Coração Satânico”, “9 e ½ Semanas de Amor” e sua ponta em “Corpos Ardentes”. Já nos anos 1990 veio o abismo. O casamento com a sua parceira de cena em “Orquídea Selvagem”, Carré Otis, resultou em denúncia de violência doméstica e acabou abandonando a carreira de ator para investir na de boxeador. É verdade que houve chances de renascimento quando Rourke foi convidado a participar do elenco de apoio de filmes como “Búffalo 66”, “A Promessa” e “Sin City – A Cidade do Pecado”, mas isso definitivamente acontece em “O Lutador”.
Em uma interpretação soberba e que dificilmente devemos testemunhar se repetir em projetos futuros, Rourke é Randy “The Ram” Robinson, personagem que anteriormente passou pelas mãos de Nicolas Cage. Ele foi um dos grandes lutadores na década de 1980 e nos dias atuais faz show nos ringues para um pequeno público, atingindo os seus oponentes e sendo revidado com golpes que vão de socos à pauladas. O limite aparece ao sofrer um ataque cardíaco. Impossibilitado de voltar ao ofício (seu coração não resistiria), resta a Randy trabalhar em um supermercado e reverter a situação de sua vida pessoal destroçada. Ao mesmo tempo que tenta investir em um relacionamento com a stripper Cassidy (Marisa Tomei) tenta reatar aquele que se perdeu no passado com a sua filha Stephanie (Evan Rachel Wood, sublime).
O segundo roteiro original para cinema de Robert D. Siegel trás como maior triunfo o caminho de Randy rumo à redenção. Há fartos momentos maravilhosos nesta história e Darren Aronofsky, em sua primeira direção não experimental, apresenta um domínio fantástico na condução de câmera e elenco. Mas o filme não atinge um resultado excepcional em todos os momentos por conta de algumas imperfeições no texto de Siegel. A personagem Cassidy, por exemplo, recebe tratamento raso, sendo aquele estereótipo de mulher de “trabalho sujo” sem marido e com filho para criar. Resta a atriz Marisa Tomei, que recebeu a sua terceira nomeação ao Oscar pelo papel e que já vencera o prêmio pela comédia “Meu Primo Vinny“, conferir através da excelência de seu talento dimensão a sua personagem. Quebra-se também o encanto de acompanhar Randy em circunstâncias quando paralelos insistentes aparecem com o ator que o incorpora. Isso não quer dizer que “O Lutador”, com a sua antológica conclusão que certamente povoará a mente do público, não seja um ótimo filme. Só o impede de ser mais do que isto.
Título Original: The Wrestler
Ano de Produção: 2008
Direção: Darren Aronofsky
Roteiro: Robert D. Siegel
Elenco: Mickey Rourke, Marisa Tomei, Evan Rachel Wood, Mark Margolis, Todd Barry, Wass Stevens e Judah Friedlander
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