“Conquista Sangrenta”, longa-metragem de 1985 com Rutger Hauer e Jennifer Jason Leigh no elenco, foi o primeiro filme americano do diretor holandês Paul Verhoeven. Após este seu primeiro passo fora de seu cinema de origem Verhoeven se tornou célebre ao registrar o seu nome em três longas espetaculares e que são fontes para influências até hoje: as ficções “Robocop – O Policial do Futuro” e “O Vingador do Futuro” e o ousado suspense “Instinto Selvagem”, cuja cruzada de pernas de Sharon Stone se transformou em um dos retratos a marcar toda a década passada. No entanto, o cineasta errou ao se envolver com “Showgirls”, que certamente deixou uma marca irreversível em sua carreira. É verdade que ele se redimiu com os bem divertidos e caprichados “Tropas Estrelares” e “O Homem Sem Sombra”, mas os amargos resultados de bilheteria provavelmente foram resultantes para o afastamento de anos de Verhoeven.
A boa notícia é que Verhoeven não poderia voltar de maneira melhor para a cadeira de diretor: “A Espiã” é o seu primeiro filme rodado na Holanda após o distante “O Quarto Homem”, de 1983. No filme, a espetacular Carice van Houten vive a judia Rachel Steinn. Tudo é contado através de um flashback, do qual descobrimos a luta desta mulher em plena Segunda Guerra Mundial. O seu esconderijo, situado em uma fazenda, é bombardeado. Após rever a sua família se une com eles em um grupo de refugiados judeus que tentam se esquivar da ameaça nazista. O problema é que todos são surpreendidos por soldados alemães, sendo todos vítimas de disparos. Somente Rachel sobrevive. Após alguns meses e sem nada a perder torna-se espiã para a Resistência Judaica, tingindo os cabelos (e até mesmo os pelos pubianos – Verhoeven filma o ato com descrição) e se passando por alemã tanto para libertar integrantes da Resistência capturados quanto para se tornar amante do oficial Ludwig Müntze (Sebastian Koch), por quem se apaixona verdadeiramente.
Paul Verhoeven põe em cena todas as características do seu próprio cinema e o revigora pelo cenário que selecionou. Há aqui uma protagonista tão forte quanto, por exemplo, Christine Halsslag (“O Quarto Homem”), Anne Lewis (“Robocop – O Policial do Futuro”) e Catherine Tramell (“Instinto Selvagem”). O erotismo que o consagrou também está presente em “A Espiã”. Não há timidez alguma na exibição da nudez. Por fim, também há todo o trunfo visual que se propaga a partir de atos de violência. Mas o que torna “A Espiã” uma obra singular além desses fatores? A resposta está contida na própria narrativa, desenvolvida pelo próprio diretor com a colaboração de Gerard Soeteman. Dramas manipuladores e as velhas bravuras de guerra, elementos que tornaram o grande acontecimento histórico tão saturado no cinema, definitivamente não imperam em “A Espiã”. Conduzindo com elegância e com uma tensão arrepiante, o thriller é totalmente imparcial. Aqui, judeus revelam-se tão desprezíveis, impiedosos e vilões quanto os nazistas que os aterrorizaram.
Título Original: Zwartboek
Ano de Produção: 2006
Direção: Paul Verhoeven
Elenco: Carice van Houten, Sebastian Koch, Thom Hoffman, Halina Reijn, Waldemar Kobus, Derek de Lint, Christian Berkel, Dolf de Vries, Peter Blok, Michiel Huisman e Johnny de Mol.
Cotação: ![[5star.jpg]](https://blogcineresenhas.files.wordpress.com/2008/10/5star.jpg?w=67)
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