Com o Cine Resenhas ausente por dois meses e com inúmeras resenhas atrasadas a seção Cinco Filmes estava com sua terceira edição pronta para ser publicada. Desta vez, conto com a ilustre colaboração do Pedro Henrique, autor do blog Tudo é Crítica, que iniciou a publicação de críticas na rede um pouco depois de mim. É desde 2007 que visitamos o blog um do outro, além de também existir um bom bate papo nas horas livres no Messenger.
Bastante diversificado, o Tudo é Crítica trás atualizações de análises de filmes das mais diversas épocas e realizadores. E essa qualidade também é vista no bom gosto do cinéfilo Pedro, que destaca a seguir os seus cinco filmes favoritos.
O Poderoso Chefão, de Francis Ford Coppola (1972, The Godfather)
É fácil falar sobre O Poderoso Chefão, basta repetir os clichês que vêm sendo ditos há mais de 30 anos. Obra-prima. O melhor de todos os tempos. Uma obra atemporal. É verdade tudo isso, mas existe algo mais nesse filme, aquele elemento que capta a essência da arte. Quando assisti pela primeira vez fiquei embasbacado com o que vi, e esse filme maravilhoso do Coppola só melhorou na minha concepção com o passar dos anos. É o cinema em estado puro. A mistificação da ética, do amor, da família. É um vislumbre que não me canso de rever. O Marlon Brando batizou o padrão interpretativo com esse filme, atingiu o limite da personificação cinematográfica. São tantos detalhes registrados por Coppola que fazem este filme perfeito que fica difícil citar somente um, tamanha a coleção de momentos inesquecíveis. É o melhor de todos e o meu filme de cabeceira.
2001: Uma Odisséia no Espaço, de Stanley Kubrick (1968, 2001: A Space Odyssey)
Se eu fosse parar para pensar quantas vezes já assisti 2001 certamente perderei as contas. Junto de Titanic, talvez seja o filme que mais assisti na vida. Por motivos diferentes. Em Titanic, sempre busquei a emoção e o prazer gigantesco (com trocadilho, por favor) do espetáculo que o Cameron proporciona. No filme do Kubrick (ainda) vou atrás da compreensão de certos planos. É o filme chave para compreendermos o poder da imagem. Não muito do som, apesar da elegante trilha lírica, pois é do silêncio que Kubrick retira o caule da sensibilidade deste filme genial. O estudo do duelo entre homem e máquina que torna a experiência fascinante e indescritível. HAL 9000 é o personagem não-humano mais bem desenvolvido no cinema, e Kubrick nos convida a travar um embate feroz com este supercomputador. É uma experiência única.
O Grande Ditador, de Charles Chaplin (1940, The Great Dictator)
Talvez este libelo pacífico de Charles Chaplin seja o meu filme preferido. Vai do genial viés cômico do ator ao poderio intelectual do artista. É o frescor e o sufoco. Um filme completo, feito por um verdadeiro artista. Há um momento conhecido por todos, que talvez tenha tornado esse filme tão especial. Cara, aquele discurso! Não é lição de moral, é a realidade da vida, sem artificialismos. Nunca consegui não me emocionar com aquilo. Acredito que seja a cena mais linda que já vi no cinema. Imagina você lá, em pleno início da mais destruidora das guerras, ouvindo aquele homenzinho dizer aquilo, naquele contexto todo de horror e destruição. Dizem que até Hitler viu o filme e se divertiu rindo de si mesmo. Pois é, Chaplin fez Hitler sorrir.
Blow Up – Depois Daquele Beijo, de Michelangelo Antonioni (1966, Blowup)
Até hoje me surpreendo com essa obra-prima do Antonioni. Cara, o que são aqueles movimentos, aqueles diálogos, a mise en scène com aqueles personagens fantásticos. A cada corte uma nova surpresa. Algumas das imagens mais fantásticas que eu já vi no cinema estão projetadas neste maravilhoso filme do mago da imagem. É um filme poderoso. A conjugação da imagem estática com o movimento de câmera como nunca vista. Sendo o protagonista um fotógrafo, Antonioni pode brincar com os planos, com os enquadramentos. A encenação dos atores dentro dos quadros parece pintado à mão, tamanha elegância e propriedade. Nunca tinha visto. Belíssimo filme.
O Sétimo Selo, de Ingmar Bergman (1957, Det sjunde inseglet)
Talvez o cineasta que mais aproximou o cinema do espírito artístico tenha sido o Bergman. Por isso ele entra fácil nessa minha listagem. Poderia colocar Morangos Silvestres e foi difícil deixá-lo de fora, mas O Sétimo Selo foi o filme quem mais marcou a minha visita ao cinema dele. Sempre que assisto ao filme me deparo com um novo plano desconcertante. Se a mise em scène existe é porque Bergman a exercitou com perfeição, com uma colocação de personagens que ainda favorecia os tour de force. Sempre que recomendo um diretor para alguém que quer estudar cinema digo para começar pelo primeiro filme. No caso de Bergman, isso é irrelevante, pois desde seus primeiros trabalhos o gênio só fez obras-primas.
O Poderoso Chefão, de Francis Ford Coppola (1972, The Godfather)
2001: Uma Odisséia no Espaço, de Stanley Kubrick (1968, 2001: A Space Odyssey)
O Grande Ditador, de Charles Chaplin (1940, The Great Dictator)
Blow Up – Depois Daquele Beijo, de Michelangelo Antonioni (1966, Blowup)
O Sétimo Selo, de Ingmar Bergman (1957, Det sjunde inseglet)
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