À DerivaHeitor Dhalia confirma-se como o cineasta brasileiro mais interessante da atualidade com “À Deriva”, que é apenas o seu terceiro longa-metragem. Não há aqui a excelência do sufocante “Nina” ou menos a polêmica de “O Cheiro do Ralo”. O que não invalida o trabalho de obter outros méritos. É um filme pessoal de Dhalia, desenvolvido com base em suas memórias de infância.

O episódio da família de Filipa (a estreante Laura Neiva, que recebeu o convite da produção do filme através do site de relacionamentos Orkut) que é o centro de “À Deriva” é quando eles passam as férias de verão em Búzios. Aos poucos a garota de catorze anos desvendará junto ao público que há atritos na união de seus pais, interpretados por Débora Bloch e, surpresa, o francês Vincent Cassel, dominando a nossa língua de forma quase impecável e se destacando como um dos atores mais versáteis do cinema. Filipa tenta seguir todos os passos de seu pai até que eles a guiam à casa na praia de uma estrangeira chamada Ângela (pequena participação da americana filha de brasileira Camilla Belle).

Laura Neiva pode ser tratada como um alter-ego do diretor Heitor Dhalia, que quando mais jovem passou por dificuldades emocionais com o divórcio de seus pais. Isto não é visto com a devida intensidade por ser tratado de forma monótona o rito de passagem da protagonista, que passa a ter o primeiro contato com os sentimentos que compõem um relacionamento adulto, marcado por desejos sexuais, dúvidas e frustrações. Assim, o verdadeiro interesse em “À Deriva” é o de acompanhar Vincent Cassel e Débora Bloch, excelentes intérpretes que tornam o ato final surpreendente e devastador.

Título Original: À Deriva
Ano de Produção: 2009
Direção: Heitor Dhalia
Elenco: Vincent Cassel, Laura Neiva, Débora Bloch, Gregório Duvivier, Valentine Fontanella, Daniel Passi, Josefina Schiller, Izadora Armelin, Cauã Reymond e Camilla Belle

8 respostas a “Resenha Crítica | À Deriva (2009)”

  1. Avatar de Yuri

    Concordo que Heitor Dhalia é um dos mais interessantes cineastas brasileiros. Ainda não conferi “Nine”, portanto vem mantendo um ótimo nível, só não achei monótona a parte de Felipa. O filme é bem construído, conta com uma ótima fotografia e boas atuações. Dos que vi, o melhor filme brasileiro de 2009.

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  2. Avatar de Luis Galvão

    Eu gosto MUITO desse filme, acho que consegue equilibrar o sensível com o agíl como poucos filmes brasileiros conseguiram todos esses anos. E Dhalia realmente é um diretor que dá orgulho ser brasileiro.

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  3. Avatar de Bruno Soares
    Bruno Soares

    Brasileiro mais interessante? Pra mim esse cara é uma farsa. Saí da sessão de À Deriva com a impressão de ter visto o maior comercial de manteiga da história.

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  4. Avatar de Mayara Bastos

    Gostei bastante do filme, ótima fotografia. Bom elenco e fiquei surpresa pelo Vincent Cassel, falou bem o portugués, rsrsrs.

    Beijos! ;)

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  5. Avatar de Alex Gonçalves
    Alex Gonçalves

    – Yuri, já eu achei, embora eu acredite que muito é por conta da inexperiência de Laura Neiva como intérprete. E não deixe de ver “Nina”, o meu segundo filme nacional favorito.

    – Luis, juro que em determinadas ocasiões eu nem imaginava “À Deriva” como um filme nacional tamanha a qualidade de algumas tomadas.

    – Bruno, o senhor também, hein? Gostou de “Se Nada Mais der Certo” e não apreciou este bom filme do Dhalia?

    – Mayara, a minha maior curiosidade sobre o filme era de testemunhar o Vincent falando nosso idioma. Ele se saiu perfeito. Beijos.

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  6. Avatar de Weiner
    Weiner

    Pra mim, um dos filmes mais bem dirigidos do último ano, com fotografia lindíssima, atores excelentes em momentos inspiradores e claro, a prova definitiva de que nosso cinema deu ADEUS à ideia de que só pode ter qualidade aquilo que começa com tiros e termina na favela.

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  7. Avatar de Alex Gonçalves
    Alex Gonçalves

    – Weiner, na verdade, acho que o nosso cinema já ultrapassou esse limite há pelo menos três anos. É claro que há filmes que se desdobram usando como base argumentos sobre a violência, mas pode-se ver resultados bem originais, como no caso de “Tropa de Elite” e “Salve Geral”. Mas é bom ver filmes mais particulares como “À Deriva”.

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  8. Avatar de 12 Horas « Cine Resenhas

    […] liberdades artísticas que o guiaram nas produções de “Nina”, “O Cheiro do Ralo” e “À Deriva”: não pôde palpitar no roteiro, ensaiar com o elenco, tomar decisões na montagem e todas as […]

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