Quem acompanha a carreira dos irmãos Coen, que estrearam como diretores na década de 1980 com o cultuado “Gosto de Sangue”, sabe que eles lidam com filmes nada convencionais. Esta característica particular dos cineastas lhe garantiram fama, só que aqueles pouco envoltos a seu cinema certamente devem ficar incomodados com as investidas mais humorísticas dos Coen. Exemplo claro disto é o filme anterior deles, “Queime Depois de Ler“. E agora há “Um Homem Sério”, indicado ao Oscar de melhor roteiro original e, vai entender o por quê, melhor filme.
Na realidade, “Um Homem Sério” está mais para um convicto drama com toques de humor negro, mesmo que outro ponto que nos faz chegar a esta conclusão seja os poucos risos, nem mesmo nervosos, que a narrativa é capaz de nos arrancar. O protagonista é o professor na década de 1960 Larry Gopnik (Michael Stuhlberg). Como judeu, passa a procurar por rabinos quando sua vida entra em grande declínio. Isto porque Judith (Sari Lennick), sua esposa, quer trocá-lo por outro homem (Fred Melamed). Pouco compreensiva, o restante de sua família parece mais explorá-lo do que apoiá-lo nesta fase difícil, pois seus filhos Sarah (Jessica McManus) e Danny (Aaron Wolff, que em muitos momentos é tratado como um segundo protagonista da história) não passam de adolescentes ingratos, bem como o seu irmão Arthur (Richard Kind), viciado em jogos de cartas.
Aparentemente, “Um Homem Sério” seria um filme interessante por estar tão conectado à vida pessoal dos Coen, que cresceram numa família judia. No entanto, há pouco de bom para extrair do longa. A direção de fotografia de Roger Deakins, oito vezes nomeado ao Oscar, é um dos pontos positivos. Analisem, por exemplo, a beleza do enquadramento e iluminação da comentada cena estampada no cartaz original onde Larry está sob o telhado de sua casa para ajustar a antena e acaba espiando a sua exuberante vizinha nua deitada em uma cadeira de praia.
Não há como negar o potencial da história de “Um Homem Sério”, que muito trabalha em temas que garante diversas interpretações, como fé e religião, atos e consequências. O desfecho, que desponta como um dos mais discutíveis e polêmicos vistos nos últimos meses, gerará discussões. Infelizmente, nada que compense uma experiência preenchida mais por momentos arrastados, aborrecidos e pouco eficiente em sua proposta do que por aqueles vistos na consagração definitiva dos Coen no pertinente “Onde os Fracos Não Têm Vez”.
Título Original: A Serious Man
Ano de Produção: 2009
Direção: Joel Coen e Ethan Coen
Elenco: Michael Stuhlbarg, Sari Lennick, Richard Kind, Fred Melamed, Aaron Wolff, Jessica McManus, Adam Arkin, Simon Helberg, Adam Arkin e George Wyner
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