O êxito de “Um Sonho Possível” fugia de todas as expectativas geradas. Afinal, poucos imaginavam as cifras que este drama americano iria obter a partir do instante que brigou nas bilheterias com o fenômeno de “A Saga Crepúsculo: Lua Nova“. Além de ser o filme mais lucrativo dentro do solo americano carregado nas costas por uma mulher, conquistou, entre vários prêmios, a indicação ao Oscar de melhor filme e melhor atriz – categoria onde Sandra Bullock saiu vitoriosa.
Nada justifica a vaga que “Um Sonho Possível”, baseado em uma história real, alcançou entre os dez finalistas. A história de Michael Oher é narrada usando como base o livro “The Blind Side: Evolution of a Game”, de Michael Lewis. O personagem, incorporado pelo inexpressivo Quinton Aaron, praticamente não tem uma família e apresenta problemas de formação. Sua vida muda quando aparece em cena a loura rica Leigh Anne (Sandra Bullock), que oferece o próprio lar como abrigo de uma noite para Michael. Porém, não tarda para a bem-intencionada Leigh adotá-lo como filho e transformá-lo em uma promessa do futebol americano, pois a estatura de Michael levam todos a crerem em uma aptidão para o esporte.
Não falta em “Um Sonho Possível” um desejo de ser um drama edificante bem-intencionado, mas os seus problemas prevalecem perante os seus desejos. É muito difícil acreditar que o relato esteja sendo desenvolvido com a veracidade esperada. Não há dúvidas que Leigh Anne seja uma mulher de coração enorme. Porém, em “Um Sonho Possível”, ela jamais cria alguma espécie de receio e insegurança em questão das origens de Michael e o de levar um estranho para viver com sua família. Essa história de ser guiada pelo amor maternal não ameniza o deslize. Só vamos desvendar o seu passado definitivamente no encaminhamento para o desfecho do filme.
Tudo estaria totalmente perdido se “Um Sonho Possível” não contasse com uma protagonista do calibre de Sandra Bullock. Eterna “Queridinha da América” com as suas comédias românticas adoráveis, a atriz aos poucos foi se envolvendo em projetos dramáticos independentes que expandiam o seu talento. Como já admitiu, Bullock quase desistiu de participar deste trabalho de John Lee Hancock antes de compreender o papel que tinha em mãos. O resultado pode ser visto na tela, com a intérprete desaparecendo em um desempenho que chega a nos emocionar pela maneira contida (e não exagerada) com que lida com ações mais delicadas. Que nenhuma injustiça seja registrada com este feito, o único memorável dentro de um filme que prega de forma enganosa as chances que aparecem para um jovem sem qualquer perspectiva.
Título Original: The Blind Side
Ano de Produção: 2009
Direção: John Lee Hancock
Elenco: Sandra Bullock, Quinton Aaron, Tim McGraw, Jae Head, Lily Collins, Ray McKinnon, Kim Dickens, Adriane Lenox e Kathy Bates.
Cotação: ![]()
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