Em meio a tantos filmes com suas missões sagradas de focarem os horrores do Holocausto, só mesmo uma mente criativa como a de Quentin Tarantino para revigorar o que já estava começando a se esgotar. Assim como testemunhado em “Kill Bill”, era grande o risco de sua mais recente realização, “Bastardos Inglórios”, passar batido por todos os membros que compõem a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. As oito indicações recebidas na última edição do evento mostram que “Pulp Fiction – Tempo de Violência” não será mais a única obra de Tarantino a ter os seus méritos devidamente reconhecidos.
“Bastardos Inglórios” trata de apresentar os inúmeros personagens totalmente ficcionais que trariam dados totalmente distintos (e absurdos) sobre a Segunda Guerra Mundial. A queda da Alemanha teria como pivô ninguém menos que a jovem francesa Shosanna Dreyfus (Mélanie Laurent) com o seu mirabolante plano de vingança contra os nazistas responsáveis pelo massacre de sua família a mando do coronel Hans Landa (o espetacular Christoph Waltz, Oscar de melhor ator coadjuvante). Dividido em alguns capítulos, o roteiro passa a se deslocar para outras linhas narrativas, como aquela protagonizada por Brad Pitt encarnando o judeu americano Aldo Raine (que passa a exterminar junto ao seu exército qualquer nazista que vejam pela frente) e da atriz alemã Bridget von Hammersmark (Diane Kruger, finalmente em um papel que valorize o seu extremo charme e talento) que desempenhará papel importante na trama.
Quentin Tarantino desapontou parte de seus maiores fãs ao desenvolver junto com o seu grande amigo Robert Rodriguez o projeto “Grindhouse“, um fiasco que consistia na junção de dois filmes de péssima qualidade assistidos pelo preço de um. Esta fase menor de sua carreira é deletada em “Bastardos Inglórios”, um misto de todos os melhores elementos de seus trabalhos anteriores com resultados revigorantes. É verdade que ao contrário do que Aldo Raine aponta no desfecho de “Bastardos Inglórios”, não estamos diante da obra-prima definitiva do cineasta – a pobre narração de Samuel L. Jackson jamais se justifica e há pelo menos duas sequências que se alongam um pouco mais do que deveriam. O que não arma barreiras para o título se juntar aos mais dignos da filmografia de seu realizador, que com um clímax bárbaro consegue concretizar uma punição dos judeus contra nazistas que só a magia do (seu) cinema seria capaz de registrar.
Título Original: Inglourious Basterds
Ano de Produção: 2009
Direção: Quentin Tarantino
Elenco: Brad Pitt, Mélanie Laurent, Christoph Waltz, Eli Roth, Michael Fassbender, Diane Kruger, Daniel Brühl, Til Schweiger, Gedeon Burkhard, Jacky Ido, Mike Myers, Julie Dreyfus e Martin Wuttke. Narração de Samuel L. Jackson.
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