A história da modelo Waris Dirie é impressionante. Nascida na Somália, sofreu com apenas três anos de vida mutilação genital. Aos doze, seu pai a prometeu para um casamento com um homem de sessenta anos. Na mesma ocasião, atravessou sozinha um deserto para fugir do destino cruel que a aguardava. Passando por Mogadisco, capital da Somália, trabalhou para parentes em uma Embaixada em Londres. Após alguns anos, viveu nas ruas sem saber falar inglês e ganhou uma nova chance ao fazer amizade com uma estranha. Sem dúvidas, Waris Dirie tem tantas experiências de vida que o cinema não poderia perder a oportunidade de retratá-la. Foi isto que a americana Sherry Horman fez em “Flor do Deserto”, dirigindo e roteirizando a partir do livro escrito pela própria Waris Dirie.
O filme segue fielmente os relatos de Waris, embora não exatamente em uma ordem cronológica. A partir do momento que a beleza singular de Waris Dirie é descoberta pelo fotógrafo Terry Donaldson (Timothy Spall) enquanto ela trabalha como faxineira na unidade do McDonald que sempre frequenta, vemos aos poucos a infância perdida da personagem. Sally Hawkins, mostrando novamente a irresistível graça e sensibilidade de “Simplesmente Feliz“, vive a melhor amiga de Waris, a descontraída Marylin.
Não há dúvidas de que Sherry Horman tem uma história poderosa para contar, mas ela não pôde se livrar de algumas limitações e armadilhas. Há um trabalho de fotografia excelente por parte de Ken Kelsch (“Os Impostores”). Entretanto, as tomadas filmadas nas ruas de Londres são editadas com desordem, onde os minutos iniciais causam estranhamento, sendo possível ver algumas pessoas olhando diretamente para a câmera. Outro equívoco irreparável é a presença inconvincente de um personagem, Harold Jackson, que surge como interesse romântico de Waris Dirie.
Avaliado por outro ângulo, “Flor do Deserto” tem muito para mostrar. É um filme totalmente oportuno com sua denúncia, ganhando peso com um testemunho devastador de Waris Dirie para uma jornalista onde explica, detalhadamente, os métodos cirúrgicos de sua circuncisão – de forma jamais gratuita, este momento é encenado. Somando sua história com os assustadores letreiros finais onde se confirma que em torno de seis mil mulheres são vítimas desta prática intolerável diariamente, “Flor do Deserto” é um filme obrigatório.
Título Original: Desert Flower | Wüstenblume
Ano de Produção: 2009
Direção: Sherry Horman
Elenco: Liya Kebede, Sally Hawkins, Craig Parkinson, Meera Syal, Anthony Mackie, Juliet Stevenson, Soraya Omar-Scego e Timothy Spall
Cotação: ![]()
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