O sonho permanece como o maior mistério da psique humana. Ao repousarmos, ele nos invade com imagens aleatórias, nossas maiores alegrias e temores, acontecimentos de caráter premonitórios, pessoas queridas ou que desconhecemos et cetera. Há também as lembranças que se apagam assim que despertamos. É algo que nos intriga e também ao cineasta Christopher Nolan, que se inspira nesse universo sem limitações para criar “A Origem”, ficção-científica que se destaca no Oscar 2011 com oito indicações.
O mote serviu para Christopher Nolan desenvolver uma história cheia de camadas autênticas onde um grupo liderado por Dom Cobb (Leonardo DiCaprio) atua como ladrões. O que eles almejam é nada convencional: informações que podem ser extraídas através dos sonhos. Saito (Ken Watanabe) é uma das vítimas e ciente das artimanhas de Dom o manipula através de uma falha cometida por Nash, o Arquiteto (Lukas Hass). Este homem poderoso solicita os serviços do protagonista não para roubar informações, mas para introduzir um novo dado na mente do empresário Robert Fischer (Cillian Murphy). Dom, conhecido como o Extrator, sabe muito bem das consequências de agir ao inverso, mas afirma que existe uma possibilidade. O problema é que Dom falhou miseravelmente na sua primeira e única tentativa neste processo, resultando na perda de sua esposa Mal (Marion Cotillard), figura que sempre interfere os seus pensamentos. A equipe é formada por Arthur, o Point Man (Joseph Gordon-Levitt), Eames, o Falsificador (Tom Hardy) e o químico Yusuf (Dileep Rao). Com Nash eliminado, Dom precisa de um novo Arquiteto. Encontra para ocupar este posto a jovem Ariadne.
Esta personagem de Ellen Page representa o limite que “A Origem” chega. A execução do plano de Dom poderá confundir aos desavisados. Isto porque ele consiste em estágios, em sonho dentro de um sonho. O problema é que para cada elemento novo o roteiro de Christopher Nolan faz questão de dar inúmeras explicações usando a novata Ariadne como justificativa para isto. Mesmo acrescentando coisas fascinantes para este universo (o totem que identifica sonho de realidade, a música de Edith Piaf usada como instrumento para despertar os personagens, o tempo que transcorre diferente nestes dois mundos paralelos, o choque da morte nos sonhos que nos despertam imediatamente para a realidade et cetera), há um didatismo maçante na realização.
Se isto não permite tantas observações pertinentes aos mistérios do sonho pelo controle que as criações de Christopher Nolan têm sobre eles por outro lado ao menos sobrevive a boa intenção do autor na contribuição de um argumento original dentro de um cinema afeito ao barulho e histeria de efeitos especiais e 3D. Impressionam ver personagens que levitam em cenários com gravidade zero e uma Paris dobrando sobre si mesma.
Título Original: Inception
Ano de Produção: 2010
Direção: Christopher Nolan
Roteiro: Christopher Nolan
Elenco: Leonardo DiCaprio, Joseph Gordon-Levitt, Ellen Page, Tom Hardy, Ken Watanabe, Dileep Rao, Cillian Murphy, Tom Berenger, Marion Cotillard, Pete Postlethwaite, Lukas Haas e Michael Caine
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