Com exceção de títulos com conteúdo impróprio para menores, pouquíssimas são as animações voltadas ao público adulto. Por ser um gênero cinematográfico que desde a sua concepção se preocupou em entusiasmar as plateias infantis, mirar em outro público-alvo é uma proposta arriscada e que nem sempre encontra o financiamento apropriado. O mérito de “Mary e Max – Uma Amizade Diferente”, longa-metragem do australiano Adam Elliot, é em vincular temas que o espectador mais maduro processará com maior facilidade. Mesmo assim, se uma criança garantir a oportunidade de assistir esta melancólica realização será presenteada por uma aventura cheia de valores que a acompanhará durante seu processo de desenvolvimento.

O filme se dedica em exibir a relação mantida por Mary Daisy Dinkle (voz de Bethany Whitmore na fase infantil e de Toni Collette na fase adulta) e Max Jerry Horovitz (Philip Seymour Hoffman) através de cartas ao longo de suas vidas. O perfil desses personagens é incomum para uma animação. Mary é uma garotinha australiana inocente que não tem amigos e muito menos uma relação familiar harmoniosa. O seu pai realiza um trabalho mecânico e sua mãe é viciada em álcool e tabaco. Uma curiosidade a fará enviar aleatoriamente uma carta recebida por Max, por sua vez, um nova-iorquino obeso e recluso em seu apartamento por ter a síndrome de Asperger. Acompanhada pela linda música do compositor Dale Cornelius, as trocas de correspondências revelarão as alegrias e tristezas vivenciadas por estes personagens.

O próprio diretor e roteirista Adam Elliot passou por uma experiência similar ao dos seus personagens. Daí o filme se apresentar como baseado em uma história real. Realizado com notável técnica de stop motion sob tons acinzentados, “Mary e Max – Uma Amizade Diferente” ainda oferece uma leitura de vários temas que enriquece ainda mais o programa. Mary e Max compartilham um com o outro sobre solidão, família, sonhos e sobre os pequenos prazeres da vida. Há até um oportuno destaque para um personagem próximo de Mary que se assume homossexual. Se a animação se mostra muito depressiva ao menos não deixa de mostrar com isto o quanto a força de uma amizade verdadeira nos completa até mesmo à distância e nas maiores adversidades.

Título Original: Mary and Max
Ano de Produção: 2009
Direção: Adam Elliot
Roteiro: Adam Elliot
Vozes de: Philip Seymour Hoffman, Toni Collette, Eric Bana, Bethany Whitmore, Renée Geyer, Michael Ienna e narração de Barry Humphries
Cotação: 4 Stars

6 respostas a “Resenha Crítica | Mary e Max – Uma Amizade Diferente (2009)”

  1. Avatar de Kamila

    Eu tenho MUITA vontade de assistir a este filme, mas ainda não consegui…

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  2. Avatar de Luis Galvão

    Sabia que eu também nunca assistir mesmo depois de MILHARES de elogios? Vou procurar para ontem.

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