Johnny Marco (Stephen Dorff) é um personagem fictício que pode ser confundido com muitos dos atuais astros de Hollywood. É um célebre protagonista de blockbusters e também um homem com uma vida cheia de excessos. Fora das aparições públicas, onde automaticamente se mostra um sujeito carismático, Johnny parece um nômade, alguém que pula de hotel para hotel e que afugenta a solidão marcando presença em festas regadas a bebidas alcoólicas, contratando dançarinas de pole dance ou transando com a primeira moça de corpo escultural que lhe abrir as portas.

A partir do momento que abandonou a curta e fracassada carreira como atriz, Sofia Coppola parece disposta a exorcizar seus demônios como cineasta. Mostrou-se uma mulher que privilegia o cinema autoral e em “Um Lugar Qualquer” parece compreender bem o personagem que desenhou. Apenas uma impressão passageira, pois desta vez lhe faltou estofo.

Tendo acompanhado a carreira de seu pai Francis Ford Coppola desde o momento que nasceu, Sofia observou de camarote o preço da fama. Concentra suas experiências em Johnny Marco com tudo o que há de pior neste universo privilegiado. Com isto, registra apenas imagens que, apesar de inegavelmente belas e bem enquadradas, são redundantes. Para Sofia Coppola, é preciso dedicar muito tempo para extrair algo do movimento (a interminável sequência de abertura) e do silêncio (Johnny repousando à beira da piscina na presença de sua filha Cleo, feita por Elle Fanning). Um olhar contemplativo limitado, quase vazio, que se revela pouco recompensador à plateia.

Título Original: Somewhere
Ano de Produção: 2010
Direção: Sofia Coppola
Roteiro: Sofia Coppola
Elenco: Stephen Dorff, Elle Fanning, Chris Pontius, Kristina Shannon, Karissa Shannon, Lala Sloatman, Erin Wasson, Alexandra Williams, Nathalie Fay, Kristina Shannon, Karissa Shannon, Amanda Anka, Ellie Kemper, Laura Chiatti, Laura Ramsey, Damián Delgado, Michelle Monaghan e Benicio Del Toro
Cotação: 2 Stars

4 respostas a “Um Lugar Qualquer”

  1. Avatar de Alexsandro Vasconcelos

    Um olhar contemplativo limitado, quase vazio, que se revela pouco recompensador à plateia. [2]

    Primeiro longa da Sofia que eu acho abaixo da média. Não que os demais sejam todos excelentes, nada disso. Gosto muito de Encontros e Desencontros, mas de resto não vejo grande coisa nessa que só me chama a atenção porque é a filha do grande Coppola, infelizmente. Somewhere é bem redundante mesmo, não diz muita coisa e parece a história de alguém contada por outro alguém que a conhece muito bem, porém não soube passar da melhor maneira, mas tudo isso você já disse aí, né? Tenho até medo do que vou dizer agora, mas tenho que confessar que CONCORDO PLENAMENTE COM VOCÊ. rsrs Não tiraria uma vírgula do seu texto, talvez uma estrela.

    Abraço

    Curtir

    1. Avatar de Alex Gonçalves
      Alex Gonçalves

      Alexsandro, já concordamos em outras ocasiões, não há motivo para ter medo. Acho que duas estrelas são mais do que suficientes para a produção. Abraço!

      Curtir

  2. Avatar de Retrospectiva 2011 « Cine Resenhas

    […] de Ouro em Cannes, ainda provoca diversas reações | Sofia Coppola mais chata do que nunca em “Um Lugar Qualquer” | “Inverno da Alma” mostra um lado pouco explorado da América e revela o talento de […]

    Curtir

  3. Avatar de Twixt | Cine Resenhas

    […] V (Elle Fanning, atriz da qual Francis Ford Coppola pegou emprestado de sua filha Sofia após “Um Lugar Qualquer”), Hall acorda inspirado para escrever um romance sobre vampiros. Diz para a esposa (Joanne […]

    Curtir

Deixar mensagem para Alexsandro Vasconcelos Cancelar resposta