A tecnologia de hoje possibilita, entre muitas outras coisas, que consígamos nos comunicar com alguns cliques. O contato antes mantido por cartas e telefonemas atualmente é substituído por mensagens instantâneas, sites de relacionamentos e webcam. Porém, esses facilitadores não são positivos para todos nós. Na verdade, as interações se tornaram muito artificiais e isto aumentou consideravelmente o número de anônimos solitários. Sob este viés, “Medianeras – Buenos Aires da Era do Amor Virtual” surge para fazer um retrato digno desta geração tão envolvida ao mundo virtual.

O argentino Gustavo Taretto é um especialista em curtas-metragens e torna um de seus trabalhos no formato, também nomeado “Medianeras”, em seu primeiro longa-metragem. Martín (Javier Drolas, também protagonista da versão original) é um sujeito cheio de fobias que vive recluso em seu apartamento. Tem como companhia apenas o cão de sua ex-namorada, que o abandonou para viver nos Estados Unidos. Criador de sites, Martín dedica todo o extenso tempo livre em frente do computador, da tevê e enfrentando o seu medo de estar em lugares públicos usando fotografia como terapia e visitando seu psicólogo. Já Mariana (Pilar López de Ayala, de “O Estranho Caso de Angélica” e “Lope”) é a outra protagonista da história. Também com relacionamento rompido, esta arquiteta formada se sustenta trabalhando como vitrinista e tem como principal hobby folhear “Onde Está o Wally?”

Considerada uma das obras-primas de Woody Allen, “Manhattan” serve de referência óbvia para Gustavo Taretto. Não há a mesma história romântica e sim o empenho em transformar a cidade que serve de cenário em personagem. Há assim uma Buenos Aires capturada em tonalidades frias, sem qualquer glamour, refletindo personagens como Martín e Mariana, tão longe e tão perto um do outro. Porém, não se engane com a melancolia que esse relato pode transmitir a princípio. “Medianeras – Buenos Aires da Era do Amor Virtual” é em sua essência um entretenimento divertidíssimo, tateando seus dois personagens centrais com ternura e com brincadeiras visuais que revelam as armadilhas que o destino nos prepara como algo fabuloso.

Título Original: Medianeras
Ano de Produção: 2011
Direção: Gustavo Taretto
Roteiro: Gustavo Taretto, baseado em seu curta-metragem “Medianeras”
Elenco: Javier Drolas, Pilar López de Ayala, Inés Efron, Adrián Navarro, Rafael Ferro, Carla Peterson, Jorge Lanata, Alan Pauls e Romina Paula

7 respostas a “Resenha Crítica | Medianeras: Buenos Aires da Era do Amor Virtual (2011)”

  1. Avatar de Kamila

    O João fala muito bem desse filme e agora leio essa sua excelente crítica… Aumentou a ansiedade para conferir “Medianeras”.

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  2. Avatar de Retrospectiva 2011 « Cine Resenhas

    […] é um prequel que deu muito certo | “Um Conto Chinês” é uma inusitada história real | “Medianeras – Buenos Aires na Era do Amor Virtual” é uma terna história sobre os anônimos virtuais de hoje | Tom Hanks e Julia Roberts provam […]

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  3. Avatar de Ponto Crítico – Set/11 « Cine Resenhas

    […] primeira (e melhor) delas é o primeiro lugar assumido por “Medianeras – Buenos Aires na Era do Amor Virtual“, maravilhosa produção exibida ano passado no circuito alternativo e que fez bastante […]

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