36ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo
Hemel, personagem-título do primeiro longa-metragem da holandesa Sacha Polak, é uma jovem que embarca em um processo autodestrutivo de relações sexuais com desconhecidos. Em um dos momentos iniciais da história, vemos Hemel flertando vários homens em uma balada até realmente chamar a atenção de algum que a levará para a cama. Uma vez chegado ao orgasmo, ela trata o parceiro com frieza, expulsando-o imediatamente de seu apartamento.
Comparado por parte considerável da crítica e público como a versão feminina para “Shame”, “Hemel” busca compreender a compulsão da protagonista por sexo casual ao narrar sua história em capítulos. O mistério começa a ser elucidado quando o foco é centralizado em seu cotidiano, especialmente quando conhecemos Gijs (Hans Dagelet), pai com o qual parece viver um relacionamento aberto – o afeto que um tem pelo outro, que por vezes resulta mais físico do que deveria, permite esta interpretação.
O retrato de Hemel é realizado de maneira bem íntima, algo obtido pela entrega da atriz Hannah Hoekstra, que se submete a ousadas cenas de nudez. No entanto, “Hemel” é um drama que causa indiferença pela forma como a realizadora, através do roteiro de Helena van der Meulen, constrói a personagem. Além de infantil e mimada, Hemel tem inúmeros defeitos que contrapõem o nosso interesse em compreender o que, enfim, a traumatiza ao ponto de se sentir incapaz de amar e ser amada. “Hemel” é um filme que só não é mais aborrecido porque tem uma curta duração.
Título Original: Hemel
Ano de Produção: 2012
Direção: Sacha Polak
Roteiro: Helena van der Meulen
Elenco: Hannah Hoekstra, Hans Dagelet, Rifka Lodeizen, Mark Rietman, Eva Duijvestein, Barbara Sarafian, Ward Weemhoff, Ali Ben Horsting, Abdullah el Baoudi, Elske Rotteveel e Maarten Heijmans
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