Até que a Sorte nos SepareUm dos itens presentes na lista de muitos brasileiros é ganhar na loteria. Em um país com um nível de desigualdade social tão alarmante, não é um absurdo muitos quererem sorte em um jogo com um prêmio milionário. Por isso que casas loterias são invadidas por apostadores, especialmente em vésperas de sorteios. O casal Tino e Jane tem a vida modesta alterada quando percebem que os seis números que escolheram na Mega-Sena foram sorteados. Imensamente felizes, prometem que o dinheiro jamais interferirá no amor que um tem pelo outro.

Passam-se os anos e Tino e Jane se tornaram pessoas muito diferentes do que eram antes de enriquecerem. Tino, interpretado pelo comediante Leandro Hassum, não tem mais o corpo atlético de outrora e Jane, feita por Danielle Winits, é uma dondoca para lá de fútil. Não é preciso prever que o casal cairia na regra dos pobres que perdem tudo ao não saberem gerenciar a fortuna que ganhou com certa facilidade. Ao se deparar com todos os seus cartões de créditos bloqueados, Tino logo é informado que sua conta bancária está com saldo negativo.

Em segredo, Tino tentará reverter a situação contando com a ajuda do seu vizinho e contador Amauri (Kiko Mascarenhas), que elaborará estratégias para que ele consiga sair do saldo zero e modificar o padrão de vida que ele vem mantendo nos últimos anos. O problema é que Tino é incapaz de dizer não para sua mulher e filhos, que continuam abusando de gastos exorbitantes.

Amparado pela boa química entre personagens tão destoantes como Tino e Amauri e algumas piadas que funcionam (a maioria protagonizadas por Ailton Graça, hilário ao se passar por um designer de interiores para ajudar Tino a se livrar de novos débitos com uma redecoração solicitada pela esposa), “Até que a Sorte nos Separe” não dá mais passos pela produção precária. Comprometido com a sucessão de situações copiadas de outros exemplares da linha, a comédia chega a constranger com seu trabalho técnico, o que inclui uma galeria de montagens horrorosas de Tino e Jane em algumas viagens absurdas.

De qualquer forma, o filme, baseado no livro de autoajuda “Casais Inteligentes Enriquecem Juntos”, apresenta com alguma eficácia um tema atual para o público brasileiro. Além do mais, também representa um salto na carreira de Roberto Santucci, que anteriormente havia dirigido o péssimo “De Pernas Pro Ar“. Se Santucci se esforçar ainda mais em seus projetos futuros, será possível visualizar um progresso que vá além de números de bilheteria.

Até que a Sorte nos Separe, 2012 | Dirigido por Roberto Santucci | Roteiro de Angelica Lopes e Paulo Cursino, baseado no livro “Casais Inteligentes Enriquecem Juntos”, de Gustavo Cerbasi | Elenco: Leandro Hassum, Danielle Winits, Kiko Mascarenhas, Marcelo Saback, Ailton Graça, Julia Dalavia, Julio Braga, Vitor Maia, Rita Elmôr, Henry Fiuka, Maurício Sherman e Carlos Bonow | Distribuidora: Paris Filmes

3 respostas a “Resenha Crítica | Até que a Sorte nos Separe (2012)”

  1. Avatar de Kamila

    Esse filme é um “Adeus, Lênin!” bem desvirtuado! rsrsrsrsrs A ideia do cara mentir para a esposa, para continuar a viver uma vida de fachada rende mesmo muitas situações engraçadas. Eu ri muito assistindo a esse filme. Adorei Leandro Hassum e, surpreendentemente, a Danielle Winits, que tem um ótimo timing cômico.

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    1. Avatar de Alex Gonçalves

      Kamila, admito que em nenhum segundo cheguei a associar este filme com “Adeus, Lênin!”, mas é um paralelo interessante, sem dúvida. Também gosto muito da dupla central e de alguns coadjuvantes. Como já foi anunciado que este filme receberá uma sequência, ficarei na torcida para que as coisas funcionem melhor.

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  2. Avatar de Os 10 Piores Filmes de 2013 | Cine Resenhas

    […] Odeio o Dia dos Namorados, de Roberto Santucci Ok, “Até que a Sorte nos Separe” está muito longe de ser um bom filme, mas não há dúvidas de que Roberto Santucci fez uma […]

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