
O inglês Paul Greengrass foi mais um exemplo de cineasta que teve uma fase nada gloriosa em sua carreira ao deixar que o sucesso inflasse seu próprio ego. Mesmo elevando a franquia “Bourne” para um patamar inesperado, logo surgiu na mídia declarações referentes aos seus métodos de trabalho de fazer qualquer investidor arrancar os fios do próprio cabelo. Seu trabalho seguinte, o insuportável “Zona Verde”, representou uma queda profissional vertiginosa consolidada com o fracasso nas bilheterias.
Como um tombo faz bem para todo mundo, Greengrass volta à boa forma com “Capitão Phillips”. O mesmo se aplica ao seu astro Tom Hanks, que desde “Matadores de Velhinha” devia um grande desempenho. No entanto, ambos não estão presentes entre os nomes indicados para o Oscar deste ano. Além de menções em três categorias técnicas (Montagem, Edição de Som e Mixagem de Som), “Capitão Philips” é finalista em Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Ator Coadjuvante (o estreante Barkhad Abdi) e Melhor Filme. Greengrass comete uma série de deslizes ao conduzir a segunda metade de “Capitão Phillips”, mas Hanks é uma ausência sentida entre os finalistas: ele poderia ter ocupado uma vaga que agora pertence a Christian Bale, cujo trabalho em “Trapaça” vem sendo elogiado em demasia.
A participação especial de Catherine Keener nos cinco primeiros minutos de “Capitão Phillips” não é gratuito. Rosto conhecido, a atriz vive a esposa de Richard Phillips (Tom Hanks), capitão de um navio que transporta containers. Trata-se de um pai de família amoroso que precisa abdicar deste papel para trabalhar. A viagem narrada no filme é real e aconteceu em 2009: após algumas tentativas exaustivas de driblar a invasão de piratas somalis, a tripulação foi sequestrada e muitas horas se passaram até alguma solução drástica ser encontrada.
Uma vez rendido, o Phillips de Hanks aproveita-se de subterfúgios para garantir a integridade de seus subordinados e do navio que comanda. No entanto, Muse (Barkhad Abdi), o líder do grupo que restou de piratas somalis, mostra-se suficientemente esperto para obter as riquezas transportadas, mesmo que para isso precise eliminar os reféns. Instaura-se assim uma tensão genuína mantida com o embate entre dois opostos que tiram vantagem um do outro a cada momento.
Quando o jogo é virado contra Phillips ao fim da primeira metade da história, “Capitão Phillips” começa a perder a credibilidade. Em prol de sua tripulação, Phillips acaba cedendo quando os somalis planejam torná-lo refém assim que o transferem para um barco salva-vidas. Com isso, o acontecimento exige interferências externas e assim são implantados todos os artifícios esperados em uma trama de sequestro, algo que “Capitão Phillips” estava evitando com muito sucesso. Se a transição de um homem dominando plenamente as suas estratégias para outro que vai perdendo progressivamente o controle da situação é convincente, o mesmo não pode ser dito de suas tentativas de fuga ou o modo como os piratas somalis contornam as adversidades consequentes de seus atos. Somente quando Philips enfim desaba é que Paul Greengrass recupera o magnetismo da primeira hora da metragem.
Captain Phillips, 2013 | Dirigido por Paul Greengrass | Roteiro de Billy Ray, baseado no livro “Dever de Capitão”, de Richard Phillips e Stephan Talty | Elenco: Tom Hanks, Barkhad Abdi, Barkhad Abdirahman, Faysal Ahmed, Mahat M. Ali, Michael Chernus, David Warshofsky, Corey Johnson, Chris Mulkey, Yul Vazquez, Max Martini, Omar Berdouni e Catherine Keener | Distribuidora: Sony

Putz, cara! Não gosto de “Matadores de Velhinhas”, o pior filme dos Coen nesses anos todos. E “Zona Verde” é uma perda de tempo também.
Eu já gosto bastante de “Capitão Phillips”. Não acho que a segunda metade cai. Acho que só reforçou o que pra mim é a retratação mais tensa feita pelo cinema sobre um sequestro.
Abs!
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Otávio, como assim o pior? Você pulou “O Amor Custa Caro”? Tá, o filme não é uma maravilha, mas Tom Hanks está bom demais como o protagonista. Quanto a segunda metade de “Capitão Philips”, ela não me entusiasma. Uma pena, pois tinha tudo para ser um filme para ficar na memória. Abraço.
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