
Em minha primeira colaboração para o Cine Resenhas – minha lista de séries prediletas de todos os tempos – deixei de fora outras que realmente me deixam entusiasmado em seu andamento atual. Porém, pelo fato de não terem sido concluídas ainda, seria irresponsável e prematuro inclui-las em meu top 5.
“Mad Men”, “Game of Thrones”, “The Walking Dead” e a recém-nascida “Better Call Saul” são séries que tenho muito apreço e que quero comentar aqui. Porém, ainda não devem ser consideradas obras prontas a ponto de botar a minha mão no fogo por elas. Esse é o barato de seriados. Eles precisam fechar o ciclo ou, caso contrário, correm o risco de causar uma decepção imensa no espectador.
Ora, existem centenas de obras cujos desenvolvimentos muitas vezes são mais importantes que a introdução ou a conclusão. Filmes, livros… Quem sabe até um concerto. Mas no caso de séries, o tempo demandado para você assistir todo o seu ciclo (em média quatro anos, se não for cancelada antes) é longo o suficiente para uma grande decepção. Posso citar pelo menos duas séries que me deixaram com uma amargura imensa em sua conclusão.
Não é raro pessoas desiludidas com a pop “Lost” (2004-2010). Desculpe, raro é quem colocaria Lost em seu top 5. Que final foi aquele? Apesar de que, no caso dessa série, a impressão que dava é que ela já estava perdida talvez desde a quinta temporada. Até achei um barato aquela onda de viagem no tempo. Mas não subestime o “seriéfilo”. Pode até ser que tenha ali uma resposta filosófica, religiosa ou o que for, mas o fato é que essa tal temática de bem e mal parece ter sido construída só no final da série. Foi um final broxante! Miraram a surpresa e acertaram a decepção.
Outra série, e dessa vez não é culpa dos roteiristas, cujo final foi mais triste que decepcionante é “Deadwood” (2004-2006). Por uma peleja entre criador da série e executivos da HBO a série simplesmente não teve fim! “Deadwood” tinha tudo para estar no meu top 5 com o inevitável incendido que encerraria a história da cidade, mas não aconteceu. A série simplesmente acabou em um anticlímax triste e repulsivo, que deveria ser considerado um antecedente penal para evitar outros possíveis crimes futuros – sim, aconteceu novamente em outras séries, mas, em alguns casos, foi justo pela péssima qualidade da obra.
Há diversas outras séries com finais dramáticos por serem ruins. No meu caso, tive mais sorte que azar e acompanhei aquelas que me apeteciam e cujo final foi bom. Isso também se deve pelo fato de eu não ter visto tantas séries até o final. Algumas por pouco, outras por muito. Deve ser algo relacionado ao intuito.
Mas quando eu encontrar essas séries com finais ruins com certeza alertá-lo-eis.
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Paolo Enryco amadureceu em frente à tevê e por esse motivo adquiriu um humor exótico e um senso crítico rabugento. Sua formação, que varia entre o sensato e o lírico, compõe suas críticas – ou seja lá o que ele escreve aqui. Mais devaneios em Eu Penso.

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