
I Am Here, de Anders Morgenthaler
A mais bela atriz do mundo a já ultrapassar a faixa dos 60 anos, a americana Kim Basinger é uma presença que equivale a 50% de sucesso ambicionado com qualquer produção que a tenha escalado como protagonista. É consenso de que sua beleza desperta o líbido de todos, mas o uso dela como ferramenta para interpretação faz de Kim Basinger uma atriz única.
Nos raros momentos de algum brilhantismo em “A Qualquer Preço”, o cineasta dinamarquês Anders Morgenthaler extrai da face de Kim Basinger a turbulência emocional de uma mulher que, mesmo após os 40 anos, não desiste de se realizar através da maternidade. É doloroso, já no início da narrativa, ver a sua mais recente tentativa de gravidez ser frustrada por mais um aborto espontâneo. Pior é a desesperança que a invade quando o seu marido, Peter (Sebastian Schipper), se recusa a dar mais uma chance para que concebam um filho, afastando-se quando Maria vem com a possibilidade de adoção.
Já em seu prólogo, “A Qualquer Preço” flerta com a fábula ao apresentar espiritualmente um filho que Maria insiste em dar à luz. A propósito, o próprio nome do casal, Maria e Peter, faz alusão a nomes essenciais na concepção e trajetória de Jesus Cristo. Há também Jordan Prentice, um ator com uma estatura incomum e, por isso mesmo, perfeito para reforçar o realismo quase fantástico pretendido.
Com uma carreira que inclui o crédito em um dos segmentos de “O ABC da Morte” (“K is for Klutz”), Anders Morgenthaler é limitado tanto como diretor quanto como roteirista de “A Qualquer Preço”. Sem valorizar a presença de Kim Basinger, Morgenthaler se mostra afeito a uma câmera na mão que a acompanha por trás, registrando as ações que a rodeiam desastrosamente. É também um narrador vacilante, mantendo em banho-maria uma jornada que só efetiva os caminhos tortos da maternidade em uma conclusão ao mesmo tempo desconcertante e comovente.

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