
Henkesi edestä, de Petri Kotwica
.:: 39ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo ::.
Com cinco longas no currículo, o cineasta Petri Kotwica é apresentado pela primeira vez ao público brasileiro com “Absorvição”. A produção finlandesa foi um dos destaques do Foco Nórdico da 39ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo e também confere um tema recorrente na seleção de filmes para a edição: as ações inadequadas que assumimos a partir de um acidente.
Autor do roteiro ao lado de Johanna Hartikainen, Petri Kotwica definitivamente não alivia a barra. Temos como protagonista Kiia (Laura Birn, muito parecida com a atriz Gwyneth Paltrow), casada com o padre Lauri (Eero Aho) e grávida de seu primeiro filho. Após uma celebração na igreja, Kiia exige dirigir o carro, pois Lauri tomou algumas taças de champanhe acima do recomendável para conduzir um veículo.
De repente, Kiia entra em trabalho de parto prematuro e as dores das contrações a fazem atropelar algo a caminho do hospital. Lauri sai do veículo e retorna assegurando que ela atingiu um veado que andava pela estrada. Eis que somos apresentados a Hanna (Mari Rantasila, ótima) e logo descobrimos que a vítima foi o seu companheiro, Timo (Teijo Eloranta). Há o encontro entre essas duas mulheres. E a despedida é desconcertante, pois Kiia sai dele comemorando a saúde do bebê enquanto Hanna parece preparada para o luto.
Ao não fazer mistério sobre o acidente, “Absorvição” imediatamente posiciona os personagens em uma encruzilhada. Kiia é bem-intencionada, mas não quer assumir para Hanna a autoria do acidente quando todas as evidências a apontam como culpada. Lauri adota a imunidade religiosa e foge da responsabilidade como o diabo da cruz. E Hanna definitivamente não está confortável no papel desolador de uma esposa vendo o seu amado definhando. Se não é um grande filme, “Absorvição” merece ser descoberto por não recuar diante de suas consequências severas, dignas de um bom conto moral.
Deixe um comentário