Se Fazendo de Morto (Je fais le mort)

Je fais le mort, de Jean-Paul Salomé

Ainda que relegado ao circuito alternativo, é uma agradável surpresa ver os filmes que trazem o nome de François Damiens no topo do cartaz sendo exibidos no Brasil. Há dez anos trabalhando no cinema, o ator e comediante belga começou a chamar a atenção ao roubar a cena como coadjuvante de “Como Arrasar um Coração”, de 2010. Porém, as atenções foram finalmente concentradas em sua figura ao viver o improvável par romântico de Audrey Tautou em “A Delicadeza do Amor“.

Após “Tango Livre”, a comédia policial “Se Fazendo de Morto” é uma nova oportunidade para vê-lo como a principal atração de um projeto, no qual a eficácia do humor está totalmente confiada em sua presença. Algo que tira de letra: Damiens é um sujeito sem nenhuma característica de um galã que consegue ser charmoso ao compreender que o deslocamento de seus personagens é um elemento para ser estudado como uma possibilidade dramática e não um recurso para piadas fáceis – e ainda é capaz de reavaliar os seus métodos a cada novo papel, sem jamais soar repetitivo.

Em “Se Fazendo de Morto”, Damiens é Jean Renault, um ator decadente que debutou na pré-adolescência como uma promessa ao receber o prêmio César de Melhor Revelação. Dependendo de uma agência de empregos para artistas para obter alguma participação ingrata em algum comercial ou projeto sem qualquer pedigree, resta-lhe topar para o momento o “papel” de morto para a reconstrução de crimes nos locais em eles se sucederam.

Mais conhecido por produções de gêneros como o drama (“Contratadas para Matar”) e o suspense (“O Fantasma de Louvre”), Jean-Paul Salomé se dá muito bem na condução da comédia, cercando de estranhezas os bastidores do procedimento decisivo para elucidar a arquitetura de um homicídio. Mas é na convicção de François Damiens em vestir um risível figurino de couro e de liderar às escondidas as investigações sobre o crime obscuro o qual encena que permite a “Se Fazendo de Morto” ser uma comédia quase tão à altura de seu fantástico protagonista.

2 respostas a “Resenha Crítica | Se Fazendo de Morto (2013)”

  1. Avatar de Cinéfila por Natureza
    Cinéfila por Natureza

    Não conheço esse diretor, mas ele parece ter um estilo bem próprio, pelo que depreendo do seu texto.

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    1. Avatar de Alex Gonçalves

      Kamila, esqueça o Jean-Paul Salomé e se atente somente ao François Damiens. :-)

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